Linux… e mais coisas

Um espaço para dizer um pouco mais sobre coisas interessantes…

Chantecler, Música de Raiz e Direito Autoral

Publicado por Fábio Emilio Costa em 5 05UTC Março 05UTC 2009

Olá!

Já ouviu falar na Discos Chantecler? Se você é fã de música de raiz (sertanejo), provavelmente já, pois o Galinho símbolo da Chantecler era símbolo do melhor do melhor da música sertaneja e de raiz, além de carimbar sucessos de artistas do da Jovem Guarda e do Romântico/Brega como Valdick Soriano, e ídolos como Sérgio Reis e Leandro e Leonardo no início de carreira. Grandes artistas da música de raiz, como Tonico e Tinoco, Trio Parada Dura, Milionário e José Rico, Irmas Galvão, Teixeirinha, Pena Branca e Xavantinho e outros eram estrelas da casa. Muitas músicas que hoje são do repertório da música de Raiz apareceram pela primeira vez nos discos da Chantecler.
Fundada em 1957, a Chantecler originalmente representava no Brasil e fazia a distribuição dos discos da toda poderosa à época RCA Victor. Quando esta, porém, começou operações no Brasil, eles decidiriam iniciar sua própria operação de produção de discos. Sua fábrica de discos foi estabelecida em vários locais na cidade de São Paulo, sendo sua última e mais famosa sede estabelecida perto dos prédios do banco Itaú na Avenida do Estado, quase chegando à Estação Dom Pedro I do metrô paulista. Com o tempo e uma certa queda na popularidade das músicas de raiz, a Chantecler acabou sendo comprada pela Warner Music em 19994, onde assumiu o novo nome de East-West. Portanto, ela detêm os fonogramas de todos os artistas que passaram pela Chantecler.
E o que tem isso de errado?
Eu morei por alguns anos em Borda da Mata, terra natal de minha mãe onde atualmente ambos os meus pais moram. Na época em que morei lá, meu pai comentou um caso que me fez refletir a questão do direito autoral: durante uma apresentação dos músicos Lourenço & Lourival na Festa da Cidade, eles teriam dito que estavam “pirateando a si próprios”.
As pessoas podem se perguntar como é possível que um artista seja obrigado a se piratear, ou a pedir para ser pirateado, como o fez Hermeto Pascoal. Na realidade, existe uma coisa que as gravadoras não comentam sobre a relação (muitas vezes promíscua, como Courtney Love disse certa vez) entre artista e gravadoras. São raras as bandas cujo copyright dos fonogramas sejam realmente do artista. Casos como o de Enya, Metallica, Loreena McKennitt e Pato Fu são a exceção, e não a regra. Na maior parte das vezes, o fonograma (ou seja, as faixas do disco) são de copyright das gravadoras. Isso quer dizer que, embora a obra (ou seja, a música) seja do artista (em alguns casos), o fonograma (ou seja, a gravação da música), que em teoria é o que é pirateado (você não pirateia necessariamente a obra – ao gravar um MP3 no seu computador, o que você está gravando é um fonograma) na realidade pertence à gravadora. Ou seja, nem o próprio artista tem direitos sobre o fonograma assim distribuído, uma vez que esse fonograma (que ele compôs) não é dele.
Desse modo, fica a pergunta: qual é a questão verdadeira em cima da pirataria. Se o que é pirateado é o fonograma, em teoria pelo qual a indústria fonográfica já pagou ao artista, ele ainda é a vítima maior?
Eu deixo para o leitor pensar se é justo que o artista tenha que, ao se apresentar, pedir ao público comprar um CD que ele “pirateou dele próprio”.
Fontes: Revivendo Teixeirinha e Wikipedia

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Convertendo vídeos para PSP no Linux

Publicado por Fábio Emilio Costa em 2 02UTC Março 02UTC 2009

Olá!

800px-psp_slim__liteComprei recentemente um PSP devido a uma série de recursos. Continuo sendo um feliz dono de um Nintendo DS, mas alguns bons jogos do PSP, como Crisis Core: Final Fantasy, Patapon, LocoRoco e God of War me convenceram a comprar esse videogame. Além disso, a boa tela wide, de boa dimensão, se provou uma ótima forma de ver animes e seriados quando possível, bem melhor que as pequenas telas dos vários MP4/5/6 que já tive.
Mas como bom Linuxer, tive problemas para obter uma forma de converter vídeos nele. Segui vários tutoriais, sendo que nenhum deles funcionou. Vários dos scripts sugeriam o uso do ffmpeg, mas tinha optado por usar o MPlayer/mencoder (nada contra o ffmpeg, é apenas força de hábito). Foi quando cruzei com o scripts automatizado para o Nautilus da GNOME-Look de conversão e achei perfeito… exceto que preferia trabalhar diretamente com o shell nesse caso, pois pretendia usar uma certa “magia negra” para automatizar as conversões (na verdade o velho e bom for i in ; do pspencode $i; done). Peguei e fiz algumas adaptações, tirando códigos desnecessários para o meu uso e acrescentando novos códigos. No caso, o resultado é o script abaixo, que fica à disposição de todos.

#!/bin/bash

#
# Adapted from GNOME-Look’s PSP Video Converter Nautilus Script
#
# Original by CruelAngel
#
# Version by Fabio Costa
#

INPUT=”$1″
LENG=${#INPUT}
let “LENG=LENG-4″
OUTPUT=${INPUT:0:$LENG}_psp.mp4
OUTPUTTHM=${INPUT:0:$LENG}_psp.thm

ENCODER=mencoder
AUDIO_BITRATE=64
# 768 for higher quality
AVG_BITRATE=512
VIDEO_MAX_BITRATE=1000
#NICENESS=20
CHAPTER=25
LANGUAGE=en
#First pass
$ENCODER “${INPUT}” -alang ${LANGUAGE} -sws 9 -vf scale=480:272,harddup,unsharp=l3×3:0.7,expand=480:272 -oac faac -faacopts br=${AUDIO_BITRATE}:mpeg=4:object=2:raw -channels 2 -srate 48000 -ovc x264 -x264encopts bitrate=${AVG_BITRATE}:global_header:partitions=all:trellis=1:pass=1:vbv_maxrate=${VIDEO_MAX_BITRATE}:vbv_bufsize=2000:level_idc=30:me=umh:subq=6 -of lavf -lavfopts format=psp -o “${OUTPUT}”

# NEW: Generate a thumbnail for previewing on PSP

# Takes 5 frames from 30 seconds after begin of video. 5 was an arbitrary number
#  based on a MPlayer issue that even using -ss, the first frame taken came from
# the first frame of the video. So, you’ll take more frames (5 a good shot) and use
# only the last one

mplayer -frames 5 -ss 30 -vo jpeg -nosound “${INPUT}”

#
# Convert the last frame for the correct dimensions and renaming it so PSP detects it as
# the video thumbnail
#
convert 00000005.jpg -scale 160×120 “${OUTPUTTHM}”

#
# Removing the temporary frames
#
rm 00000001.jpg 00000002.jpg 00000003.jpg 00000004.jpg 00000005.jpg

Após converter os vídeos, basta gravar eles na pasta /video do cartão Memory Stick do seu PSP e assistir sua série, anime ou vídeo desejado.

Espero que esse script seja útil e agradeço ao pessoal da GNOME-Look pelo script original.
Para completar, uma dica: no caso de vídeos Fullscreen (4:3), a visão normal do PSP widescreen (16:9) distorce a imagem. Para corrigir, enquanto assiste o filme aperte o botão Triângulo e escolha a opção Modo de Ecrã (Screen Mode), confirmando com o botão X, que o vídeo será apresentado no formato adequado, sem exigir “gambiarras” para a codificação do vídeo.
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Campus Party 2009 – Resumo da Ópera (Longo)

Publicado por Fábio Emilio Costa em 28 28UTC Janeiro 28UTC 2009

OK… Já vai alguns dias que acabou a Campus Party, e portanto é uma ótima hora para falar sobre ela, sem muita pressão e tal. Desse modo, posso comentar os bons e ruins sem muito medo.
Bem, se você não quer saber sobre a Campus Party, pule esse post pois ele é muito, MUITO LONGO MESMO!!!
Então, prepare-se para a viagem!

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Campus Party – Eu vou (ou Campus Party – Dia 0)

Publicado por Fábio Emilio Costa em 18 18UTC Janeiro 18UTC 2009

Todo mundo já sabe que esse ano a Campus Party será no Centro de Exposições Imigrantes. Pois é. E eu também estarei lá!
Terminei de preparar as mochilas de maneira básica. Falta apenas adicionar o notebook à essa tralha toda e estarei pronto para ir amanhã para a Campus Party.
Quer ter uma idéia do volume de tralha? Veja a foto abaixo (tirada do meu Celular N73):
180120090791

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Meme Rápida: Meu Desktop 3D

Publicado por Fábio Emilio Costa em 11 11UTC Janeiro 11UTC 2009

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Via Tux Vermelho, meme do Desktop 3D. Simplesmente pegue o seu Desktop 3D e tire um snapshot sem mexer nada… Aqui usando KDE 4.1 com alternância de tarefas no estilo iPhone.

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Meme Rápida: Meu Desktop 3D

Publicado por Fábio Emilio Costa em 11 11UTC Janeiro 11UTC 2009

desktop3d
Via Tux Vermelho, meme do Desktop 3D. Simplesmente pegue o seu Desktop 3D e tire um snapshot sem mexer nada… Aqui usando KDE 4.1 com alternância de tarefas no estilo iPhone.

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Meu Ano Novo – 2009

Publicado por Fábio Emilio Costa em 1 01UTC Janeiro 01UTC 2009

Bem, primeiro de tudo, Feliz 2009 para os leitores do “Linux e Mais Coisas”.

Meu ano novo foi bastante quietinho em casa. Não sou um cara de muvuca, então fiquei na minha casa. Mas não sem diversão. Se a TV tava ruim, o meu “brinquedinho” novo foi bem compensador.
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Sim, um Nintendo Wii bem servido de Jogos: WiiPlay, Mario Kart Wii, WiiSports, e ainda RedSteel, Trauma Center Second Opinion e New Blood e Jack & Wiki.
Durante o (longo) dia – afinal ficou noite mesmo às 20h00, tudo até bem quieto.

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Como estava sozinho, nem fiz “ceia” no sentido exato da palavra. Mas foi Revellion. Comer qualquer bodega seria idiotice. No cardápio, uma comida “leve” e “saudável”: Capelleti de Frango com molho de tomate, Coca Zero e de sobremesa Torta de Nozes.

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Por incrível que pareça, não fiz nenhuma proposição ou reflexão. Na verdade, a minha proposição de 2009 é simples e está na camiseta: “Don’t Panic!” Nunca entrar em pânico.

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E depois da contagem regressiva… Muitos fogos de artifício no bairro. Lembra a vizinhança “tranqüila”? Veja como ficou nos primeiros minutos de 2009:

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E pensa que foram só os fogos? Nada disso: o pessoal do Corpo de Bombeiros próximo saudou 2009 com uma carreata barulhenta e feliz pelo bairro!

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Feliz Natal!

Publicado por Fábio Emilio Costa em 24 24UTC Dezembro 24UTC 2008

Pois é… Mais um ano que está indo embora.
Esse post é apenas um desejo de Feliz Natal e próspero 2009 aos leitores do Linux… E mais coisas (http://hogwartslinux.wordpress.com) e do +4 (http://maisquatro.wordpress.com).
Como “mensagem de fim de ano”, deixo Trains and Winter Rains, do mais recente CD da cantora Irlandesa Enya, And Winter Came. Parece depressivo, mas é ao contrário: o mundo segue e devemos sempre seguir adiante, sempre na esperança, sempre na batalha, lutando para alcançar nosso objetivo. E é isso que desejo, que os leitores continuem lutando, vivendo, crescendo e acima de tudo sendo felizes!

Trains And Winter Rains
Os trens e as chuvas de Inverno
(Coral Gregoriano)
City streets passing by
As ruas da cidade passam
Underneath stormy skies
Sob os ceús tempestuosos

Neon signs in the night
Luzes de neon na noite
Red and blue city lights
O vermelho e o azul das luzes da cidade
Cargo trains rolling by
Trens de Carga passam
Once again someone cries
E mais alguém chora

Chorus:
Refrão
Trains and winter rains
Trens e chuvas de inverno
No going back no going home
Não retornam e nem vão para casa
Trains across the plains
Os trens cruzam planícies
And in the sky a star alone
E no céu há uma estrela solitária

Everytime it’s the same
Sempre a mesma coisa
One more night one more train
Mais uma noite e mais um trem
Everywhere empty roads
Ruas vazias por todos os lados
Where they go no one knows
Onde eles foram ninguém sabe

(Refrão)
Da, da, da, da…
(Refrão x 2)
(Coral Gregoriano)

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WSIS: Sociedade da Informação

Publicado por Fábio Emilio Costa em 2 02UTC Dezembro 02UTC 2008

Reblog de um artigo meu antigo, em cooperação com o Carlísson Galdino.

Todos sabemos do impacto da Internet no cenário sócio-político-econômico mundial. Alguns afirmam que a Internet é uma aldeia global, e de certa forma ela é. Porém, como em toda aldeia, existe muito ainda a ser decidido. Se por um lado abriu novos mercados e modos de comunicação, pelo outro gerou cybercrime, pirataria e outros assuntos problemáticos.
Com esse objetivo, a ONU propôs uma discussão sobre o assunto, a WSIS (World Summit of Information SocietyCúpula Mundial da Sociedade da Informação), com a participação de todos os países membros da ONU.
Vários temas que serão tratados nessa cúpula são importantes e polêmicos, envolvendo assuntos como Inclusão Digital, Governança Eletrônica, Cybercrime, Pedofilia, Racismo, Software Livre, Copyright, Multiculturalismo e desenvolvimento sustentável.
A primeira rodada, em Genebra, já mostrava que a discussão seria complicada. De um lado, os Estados Unidos e os países do G8 querendo travar a discussão da WSIS às questões do cybercrime, copyright e tarifações. Já um outro bloco, formado pelo Brasil e alguns países do chamado G20 (o bloco dos países em desenvolvimento), incluindo China, Índia e África do Sul, procurando descentralizar o poder da Net e propor idéias para Multiculturalismo, Inclusão Digital (principalmente fugindo do modelo tradicional e usando soluções livres e baseadas em formatos abertos).
O debate foi acirrado, mas no final das contas o grupo do G20 foi bem sucedido na colocação de idéias como a descentralização do controle da Internet e outras.
A próxima rodada, a se realizar entre os dias 16 a 18 de Novembro de 2005, será o tira-teima e poderá representar um grande avanço ou uma grande guinada de rumos para a internet.
Vamos resumir alguns pontos que podem não estar muito claros para a maioria das pessoas.

Governança Eletrônica

A idéia por trás da Governança Eletrônica é que cada país possa gerenciar seus tráfegos de Internet, ao mesmo tempo em que nenhum deles detenha o controle absoluto da Internet.
Os problemas nesse caso chamam-se DNS (Domain Name ServicesServiços de Nome de Domínio) e ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and NumbersCorporação para a distribuição de nomes e números de Internet). Falemos primeiro de DNS.
Esse sistema, o DNS, funciona como uma espécie de “agenda telefônica” que traduz nomes de sites legíveis por pessoas (como www.google.com.br) para números IP que os computadores possam usar para procurar tais páginas (como 64.233.187.104). Para evitar a sobrecarga em um único servidor, ele é construído de uma maneira que cada um dos domínios (cada trecho antes de um ponto) seja descentralizado. Antes do último domínio (nesse caso, o “.br”), existem servidores chamados root servers (servidores raiz) que são o início de tudo, onde as pesquisas começam.
O grande problema é que os root servers atualmente são 10, sendo que destes, 7 são americanos, dos quais 4 são militares. Os outros 3 estão na Alemanha, na Suiça e no Japão.
Parece não ser grande problema, mas bastaria, por exemplo, um desses países apagar a entrada para o domínio de um país em guerra (por exemplo, o domínio .br) e aquele país ficaria isolado, ou ao menos MUITO mais difícil de ser alcançado.
As sugestões, principalmente do G20, é de que esses root servers sejam distribuídos, espalhados pelo mundo, ajudando na descentrazação. Isso impediria que uma exclusão americana pudesse afetar o sistema como um todo, já que uma das características do DNS é ser redundante (tradução: ter os mesmos dados em todos os sistemas). Ou seja, uma “remoção” tem que ser feita em todos os root servers. Com o controle saindo das mãos dos EUA, isso com certeza seria muito difícil.
O outro problema é o ICANN, Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Corporação para a distribuição de nomes e números de Internet), uma organização norte-americana que controla o fornecimento dos domínios nacionais já citados e dos números de IP.
Os Estados Unidos não abrem mão de deterem o controle dessa organização, alegando “questões de segurança”, mesmo com a sugestão de passar esse controle para uma organização pan-nacional, como o ITU (International Telecommunication UnionUnião Internacional de Telecomunicações), órgão ligado à ONU que já trata da questão de telecomunicações, com padronizações em vários setores relacionados. Porém, o principal medo dos outros países é que os americanos comecem a usar seu poder no ICANN para atuarem como Grande Irmão (referência a 1984 de George Orwell), o que, considerando-se a atual “Guerra contra o Terror” não seria de se estranhar.
Há um perigo de que uma decisão intransigente americana possa romper a estrutura da Internet como a conhecemos, isolando os EUA do mundo e vice-versa, com cada país criando variações da Internet individuais, talvez ligadas entre si, mas sem o alcance global da Internet como a conhecemos.
Outro problema envolvido na Governança Eletrônica está relacionado ao Multiculturalismo, ou à existência de conteúdo e funcionamento da Internet em idiomas diferentes do inglês ou com alfabetos não latinos (como o Hindi ou Gujarati do Indiano, o Cirílico do Russo e os caracteres japoneses e chineses). Há um crescente interesse pelo uso do sistema IDN – Internationalized Domain Names (Nomes de Domínio Internacionalizados), mas os americanos evitam falar do assunto, alegando que complicaria tecnologicamente o sistema DNS, além de tornar complexo o acesso para americanos. Porém, a alegação é recíproca por parte de países que usam idiomas com alfabetos não-latinos ou até mesmo com alfabetos com acentos, como o Brasil. É que deixar de fora seus alfabetos ou acentos locais fere o respeito à cultura de um povo. Além disso, o fato de o IDN utilizar sistemas técnicos já reconhecidos têm derrubado a barreira da complexidade. De fato, alguns países, como Grécia, Alemanha e Brasil, já adotam domínios IDN.

Liberdade de Expressão:

Outro problema sério a ser tratado no caso da Internet é a Liberdade de Expressão, onde muitas vezes os países acabam sendo pedra e vidraça.
Os Estados Unidos estranhamente não aceitam que o racismo ou a xenofobia (ódio a estrangeiros, relacionado ao nazismo) sejam incluídos como temas a serem deplorados no cyber-espaço, alegando para isso parte da Primeira Emenda de sua Constituição, que declara que o principal valor americano é a liberdade de expressão. Por isso não é tão estranho que sites norte americano sobre racismo e xenofobia sejam tão prósperos em “net-solo” americano.
Esse mesmo princípio que os faz extremamente tolerantes à difusão de idéias xenofóbicas e racistas em seu território é o que os faz ir contra o Grande Firewall da China (um filtro de conteúdo nacional que não permite que chineses acessem sites como o do New York Times ou sobre o Dalai Lama).
Mas se de um lado a China quer barrar certos tipos de conteúdo, do outro os EUA querem censurar o conteúdo pornográfico na Internet. Para isso estão dispostos a tudo, inclusive a impedir a criação de um novo domínio chamado “.xxx” (lembrando que XXX é uma notória convenção para indicar-se pornografia explícita, principalmnete em fitas de vídeo e DVDs) e a exigir que empresas “suspeitas” divulguem incondicionalmente informações sobre “conteúdos polêmicos”. Estranhamente, os EUA possuem muitas leis bizarras sobre a questão sexual, inclusive com estados que permitem a zoofilia (sexo com animais) e até mesmo a necrofilia (sexo com pessoas mortas).

Cyberjus (ou Leis para a Internet):

Na área de crimes digitais, o consenso existe quando se trata de crimes contra bancos, roubos em contas bancárias a partir do roubo de senhas e demais versões informáticas de crimes “do mundo físico”. Fora isso, tratar do Direito Informático ainda é um problema enorme, e pode ficar ainda maior. Principalmente se a WSIS for pressionada a aceitar leis rígidas como a DMCA (Digital Millenium Copyright ActLei de Copyright do Milênio Digital).
A DMCA é uma lei que impede a engenharia reversa (ou seja, a pesquisa do funcionamento e possíveis formas de contornar “travas de segurança” digitais), considerando-a crime de pirataria de dados. O maior problema desse caso é que a DMCA está sendo usada como uma forma de impedir a disseminação cultural e tecnológica. Os Estados Unidos, para variar, são os principais defensores da idéia de leis que lindem legalmente tecnologias de proteção, também chamadas de leis anti-contorno (anti-circunvention em inglês). Já países como o Brasil, China e Índia defendem modelos de copyright mais maleáveis, como aquelas baseadas em Creative Commons para uma maior difusão sócio-tecno-cultural.
Outros dois problemas sérios na Internet também fazem parte dessa discussão. São eles a questão da pirataria e do spam.
A pirataria é inegavelmente nociva, mas o maior problema da questão da pirataria não é o fato em si, mas o que está por trás dele, que é uma supressão velada da cultura de outros países, cuja cultura será substituída pela cultura americana. Esse fato já acontece, mas as empresas midiáticas e de software têm o desejo de conseguir mercados consumidores para seus produtos, não importa o que aconteça. Países de diversos tipos vêm defendendo um modelo que permita que supostos piratas (normalmente pessoas que baixam músicas de bandas pouco conhecidas, como os irlandeses do Ceolbeg ou os coreanos do Banya) possam pagar preços justos pela música, ao invés de serem obrigados a pagar US$ 20,00 em um CD do qual aproveitarão uma ou duas músicas. Claro que as empresas midiáticas são contra, uma vez que perderiam parte expressiva da renda.
Já em se tratando de mensagens de propaganda abusiva (os famosos spams), existem queixas americanas de que os países em desenvolvimento seriam o ponto de partida da maior parte deles. Por sua vez, a maior parte dos países defende que o spam é disparado por empresas norte-americanas que usam de adulteração dos emails para indicarem suas origens em endereços legítimos nas regiões em desenvolvimento.
A questão da invasão de sistemas, principalmente a do defacement (pichação, onde a página de um site é removida e é colocada outra, como em uma pichação de muros), também tem sua polêmica, principalmente sobre como deverão e quem deverá ser responsabilizado. Há uma tendência de que se responsabilize também o administrador de qualquer sistema que tenha sido usado para essa invasão.
Mas há casos em que esta decisão se torna deveras injusta, como ocorre com o tipo de ataque DDoS (Distributed Denail of ServiceNegação de Serviço Distribuída). O DDoS pode ser comparado a uma espécie de “trote coletivo” capaz de desativar um servidor de conteúdo da Internet, e pode se utilizar de (muitos) computadores inocentes. Se a responsabilização se extender aos donos desses computadores, afetará pessoas que nada têm a ver com o problema e que podem ter tido suas máquinas transformadas em zumbis (termo que quer dizer: transformar-se uma máquina comum em uma preparada para participar – sem conhecimento do seu dono – de um ataque de DDoS).

Inclusão Digital:

O tema Inclusão poderia ser o único tema de concórdia entre todos os países na WSIS, já que não existe país que não reconheça a importância da Inclusão Digital e da Internet, e não saiba que para uma evolução no 3° Milênio é necessário combater o Analfabetismo Funcional.
O ponto de discórdia resume-se a como ela deve ser feita.
Os países em desenvolvimentos, liderados por Brasil, China, África do Sul e Índia, sugeriram um modelo de Inclusão baseado na preferência pelo software livre, o que permitiria menores custos e um maior intercâmbio de tecnologia. Esse modelo também possui proponentes na Rússia, Alemanha, Polônia e outros países da União Européia.
Porém, os países desenvolvidos, liderados principalmente pelos Estados Unidos, sugerem um “modelo neutro”, sem preferências, o que em geral acaba abrindo espaço para o tradicional lobby do modelo proprietário de software, que termina sendo imposto por algumas empresas de software, principalmente pela Microsoft. Tais países também possuem interesse em manter o eterno atraso tecnológico dos países em desenvolvimentos.

Conclusão

Enfim, a WSIS teria tudo para ser um campo de decisões unânimes, se prevalecesse o bom-senso e houvesse real preocupação com os países ainda-não-desenvolvidos ou em desenvolvimento. Se houvesse uma real preocupação com uma globalização justa. Mas como não há, de que adianta serem razoáveis?
As ações, os grupos e suas motivações estão bem delineadas. O importante é que as motivações sejam compreendidas e debatidas, e que a sociedade não aceite nenhum tipo de indefinição que favoreça pequenos grupos de elite. É sempre bom notar que, por mais que os atuais donos da Internet entendam assim, a Internet não é um shopping center virtual. Ela é muito mais que isso, e foi fundada com outro objetivo, o objetivo que grupos como FSF, EFF, Creative Commons e outros defendem… A livre troca de conhecimento, para melhoria não apenas de um ou outro país, e sim da humanidade como um todo.
O que está em jogo para os donos do mundo não é a melhoria dos pequenos, mas a preparação de um mercado consumidor nesses países, e só. Teremos, nessa Cúpula, uma chance de mudar as coisas como são hoje, pelo menos no mundo da Informática. Torçamos por ela.
Referência

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Rapidinha: O povo do meu serviço na Flashmob Contra a Lei Azeredo

Publicado por Fábio Emilio Costa em 16 16UTC Novembro 16UTC 2008

Bem, estivemos lá… Tudo bem que atrasados, mas estivemos lá!
Maldito trânsito de sexta e chuva! Por 15 minutos perdemos a Flashmob! Maldita seja a Marginal Pinheiros.
De qualquer modo, estivemos lá e demos nosso recado: NÃO AO PL DO SENADOR AZEREDO!!!

A turma do Serviço: William, Amanda e Gabriela!

Agora eu tou na fita (sou o da direita)

Um dos caras mais fodas da defesa à liberdade de expressão na Internet no Brasil, Sergio Amadeu.

Apesar de tudo, a Mob ainda não tinha se dispersado totalmente. Esse é o poder da Internet, Azeredo!

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