ODF: Consenso emergente em favor de um formato padrão de documentos unificado?

Por Mark Shuttleworth

Link original: http://www.markshuttleworth.com/archives/132

Ainda é cedo demais para ter certeza, mas há muitos sinais encorajadores de que as organizações de padronização de todo mundo irão votar a favor de um padrão único para formatos de documento na ISO (International Standards OrganisationOrganização Internacional de Padronização). Já existe um formato de documentos padronizado, o ODF, e atualmente a ISO está considerando uma proposta para abençoar um formato alternativo, o OpenXML da Microsoft, como outro padrão. Nos movimentos mais atuais, os comitês de padronização da África do Sul e dos Estados Unidos disseram ambos que irão votar contra um segundo padrão e desse modo irão lançar uma luz sobre a necessidade de união em um padrão sensato, aberto e comum para documentos comerciais na área de processadores de texto, planilhas eletrônicas e apresentações.

É muito importante que nos apoiemos nessas decisões corajosas e convocássemos nossos comitês nacionais de padronização para apoiar a idéia de um padrão único comum para esses documentos críticos.

O modo como a ISO funciona é interessante. Há algo em torno de 150 países membros que podem votar em qualquer proposta específica. Normalmente, algo em torno de 40 países realmente votam. Para que a proposta passe, ela deve receber 75% de votos “sim”. Países podem votar “sim”, “não” ou “abstenção”. Portanto, normalmente bastariam 10 “nãos” ou abstenções para que uma proposta seja mandada de volta para uma maior consideração. Nesse caso, porém, a Microsoft tem trabalhado duro e gasto rios de dinheiro para convencer diversos países que normalmente não votariam a apoiar o formato que ela propôs.

Portanto existe algo concreto que você pode fazer, agora, nesse instante, nesse momento! Descubra qual organização é responsável pela representação do seu país junto à ISO. Na África do Sul é o Bureau de Padronização Sul-Africano (South African Bureau of Standards – SABS), e nos EUA acho que é a ANSI. (NT: No Brasil, a organização responsável é a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT). Há uma lista de alguma dessas organizações nesse link mas ela pode não ser completa, portanto você não precisa desistir se o seu país não estiver listado aqui!

Entre em contatos por ele, por telefone ou email, e pergunte a eles qual comite estará avaliando a proposta do OpenXML. Então prepare comentários para esse comitê. É realmente importante que os seus comentários sejam profissionais e corteses: você está lidando com pessoas de um alto nível técnico que tem uma responsabilidade enorme e levam-a a sério – eles não irão o levar a sério se os seus comentários não estiverem bem redigidos, escrito com cortesia e parecerem lógicos.

Se você tem uma opinião técnica forte, foque em um problema técnico único que você acredite que seja a melhor razão para que a proposta da Microsoft seja declinada. Existem vários bons argumentos descritos nesse link. Não apenas reescreva uma idéia já enviada – encontre um ponto técnico específico que signifique para você e o descreva de maneira sucinta e cuidadosa por você mesmo. Você pode o fazer de maneira curta, de apenas um parágrafo, ou mais longa. Há algumas sugestões de como proceder ao “falar com órgãos nacionais” aqui.

Aqui estão alguns pontos que eu considero particularmente interessantes:

  • Esse não é um voto “a favor ou contra a Microsoft”

Na verdade, esse é um voto a favor ou contra um padrão unificado. A Microsoft é um membro do comitê que define o ODF (o formato ISO atualmente existente) mas está na esperança de que seu formato seja considerado um padrão, ao invés de participar do comitê em questão. Um voto de “não ao OpenXML” é um voto contra múltiplos padrões incompatíveis entre si, e portanto um voto em favor da unidade. Se o voto da ISO for “não”, então haverá todos os motivos para esperar que a Microsoft irá adotar o ODF e ajudar a torná-lo um padrão ainda melhor para todos, inclusive para eles. Se manarmos uma mensagem firme para a Microsoft de que o mundo deseja um formato único e unificado, e que o ODF é o melhor caminho para que esse formato seja definido, então teremos um formato unificado e global, que incluirá a Microsoft. A importância dessa questão é que muitos técnicos governamentais reconhece a posição fundamental que a Microsoft exece em suas operações e países, e temem votar de uma forma que pode custar o dinheiro público. Se eles acharem que um voto “não” possa tornar impossível para eles trabalhar com a Microsoft, então eles irão votar “sim”. Claro que a Microsoft está falando para eles tudo isso, mas a verdade é que a Microsoft irá abraçar um formato unificado se as organizações de padronização em todo mundo afirmarem que isso é uma demanda.

  • Padrões abertos e consensuais funcionam REALMENTE BEM – veja o caso do HTML

Nós já temos um sucesso total na definição de um formato de documentos aberto, no caso o HTML. O Consórcio W3 (W3 Consortium – W3C), que inclui a Microsoft entre outras companhias, define o HTML e o CSS. Embora inicialmente a Microsoft tenha resistido à idéia, preferindo empurrar as extensões proprietárias à Web do Internet Explorer, ela acabou no fim das contas a participar das discussões do W3C. O resultado é um format de documento altamente rico, com muitas implementações diferentes. Muito dessa riqueza da web atualmente veio do fato de que existe um formato de documentos e interações na web totalmente aberto. Dê uma olhada em uma página Web comum e então dê uma olhada em um documento Word comum, e pergunte a si próprio qual desses formatos é mais impressionante! Claro que o Word poderia se beneficiar se ele fosse um padrão aberto, e não definido por apenas uma companhia.

  • Um padrão ÚNICO com várias implementações é MUITO mais valioso que múltiplos padrões.

Imagine o que poderia acontecer se houvessem padrões diversos de documentos Web incompatíveis entre si. Você não poderia ir a um site Web qualquer e imaginar que ele iria funcionar. Você teria que saber qual formato seria usado no site. O fato de haver um padrão de documentos Web aberto – o HTML – é a mola propulsora da eficiência da Web como repositório de informação. A Web é um exemplo claro de como o ODF é a estrutura preferencial para um padrão público. O ODF, o padrão existente, é definido de maneira aberta por diversas companhias, e a Microsoft pode participar como todas as outras. Eles saberm que podem – e eles participam de discussão sobre outros padrões na mesma organização. A Microsoft irá dizer que “múltiplos formatos permite que os consumidores escolham”, mas eles sabem que ter um único padrão que evolua de maneira rápida e eficiente, como o HTML, oferece muito mais valor. Os efeitos de rede na troca de documentos significam que um padrão em qualquer evento irá emergir como dominante, e o importante para os governos, negócios e consumidores que o padrão EM SI ofereça maior escolha em implementações As pessoas não compram um padrão e elas não usam um padrão de documentos. Elas usam uma ferramenta de software ou hardware. Se o “padrão” puder ser manipulado por apenas uma ferramenta de um fornecedor, no fim das contas os consumidores não terão escolha quanto ao fornecedor. Considere o valor do ambiente de telefonia celular GSM, com centenas de fornecedores de soluções seguindo um padrão único para o mundo todo, comparado com a ineficiencia de países que permitiram que redes proprietárias fossem implementadas em freqüências públicas. O ODF já é implementado por muitas companhias diferentes. Isso quer dizer que já existem muitas ferramentas diferentes que as pessoas podem escolhar para trabalharem com seus documentos ODF de maneiras diferentes. Algumas dessas ferramentas são preparadas para uso na WEB, outras para armazenamento de documentos, outras para análise de dados, e outras para edição. No caso do OpenXML, não há nenhuma implementação completa do mesmo. Isso porque mesmo o Microsoft Office 12 não implementa OpenXML da maneira correta. Além disso nenhuma outra companhia desenvolveu nenhuma ferramenta para gerenciar documentos OpenXML. A Microsoft tenta fazer parecer que já exista uma ampla participação, mas analise um pouco mais fundo e perceberá que tudo está baseado em apenas uma companhia. O padrão ODF é um formato muito mais adequado para armazenarmos nossos documentos.

Eu gostaria de agradecer o time da TSF pelo trabalho que tiveram em participar do comitê de padronização Sul-Americano. Eu espero que cada um de vocês que tenham lido até aqui peguem o telefone dos órgãos de padronização e entre em contato com os mesmos para ajudá-los a tomar uma decisão adequada.

Os EUA, a África do Sul, a China e outros países irão votar “não”. Não permita que um lobby intensivo influencie o que deveria ser uma discussão calma, racional, sensata e acima de tudo técnica. Padrões são importantes, e ainda mais quando definidos em fóruns abertos e transparentes. Entre em ação!!

Office OpenXML (OOXML) e inapto pela ISO 29500

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MP4 xingling (chip RockChip) no Ubuntu/Debian

Olá!

Alguns de vocês, como eu, devem ter comprado um MP4 xingling, baseado em RockChip (como o da foto ao lado) e percebido que, assim que você conecta ele no Linux, ele detecta, monta, mas logo em seguida desmonta com mensagens de remoção insegura. O mais estranho é que, se você tentar usar o mesmo em distros antigas, como Ubuntu Dapper Drake e Fedora Core 2, eles funcionam normalmente.
Bem, depois de muito xingar o bendito vendedor de MP4 xingling, resolvi usar a cabeça e o Google, até que cheguei nesse site, onde ele explica como montar esse MP4 no Linux. O problema é com o UDEV, e um ajuste no máximo de setores do dispositivo que tem que ser feito no Linux para que o dispositivo seja reconhecido normalmente. No caso, a solução proposta é a criação de um arquivo /etc/udev/rules.d com a seguinte linha:

BUS==”scsi”, SYSFS{vendor}==”RockChip”, RUN+=”/bin/sh -c ‘/bin/echo 128 > /sys/block/%k/device/max_sectors'”

Com isso, o problema de montar e desmontar o dispositivo passa.
Como dica adicional, em vários MP4s que usam AVI (XviD), você deve converter previamente os arquivos de vídeo para o formato adequado. Para isso, utilize o comando:

mencoder <origem> -ofps 22 -vf-add scale=320:240 -vf-add expand=320:240:-1:-1:1 -srate 44100 -ovc xvid -xvidencopts bitrate=550:max_bframes=0:quant_type=h263:me_quality=4 -oac lavc -lavcopts acodec=mp2:abitrate=128 -o <destino>

Perceba as opções de scale e expand. Ajuste para o tamanho de imagem adequado. Além disso, corrija as opções de áudio em acodec e abitrate. Normalmente todo MP4 trás um vídeo de exemplo. Clique com o botão direito no mesmo e anote as opções de vídeo do mesmo.

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BrOffice.org – ODF: O formato Inevitável

Em 1999, um cientista desejava ter acesso a alguns dados de amostras de solo de Marte coletadas em 1975 pela sonda espacial Viking. Ele desejava testar uma teoria sobre uma possível existência de bactérias e micróbios em Marte – ou seja, a existência de vida em Marte. O cientista pensou que ele poderia encontrar o que precisava em um dos diversos sites da NASA, mas não foi tão fácil quanto aparentava. Os dados originais não estavam onde se esperava, e quando as grandes fitas magnéticas que continham esses dados foram localizadas, eles estavam “em um formato tão antigo que os programadores que sabiam como ele funcionava haviam morrido”. Alguém então encontrou um conjunto de versões impressas dos dados que estavam servindo como peso de papel e o entendimento da humanidade quanto ao universo aumentou um pouco mais. O senso de tragédia que poderia ter resultado da perda de tais conhecimentos são ecoados em registros sobre a destruição da Biblioteca de Alexandria, e explica porque em uma sociedade sadia a queima de livros normalmente é vista como insanidade.

Claro que nem todos os dados perdidos ou inacessíveis armazenam pistas para a vida em Marte, e obviamente nem toda informação precisa ir além da vida do seu autor. Muitos documentos ilegíveis não farão falta, mas políticas públicas responsáveis exigem que documentos do governo – contratos, escritúras e registros processuais que têm força por décadas ou mesmo séculos – precisam ser arquivadas e estar disponíveis a todos. Seja como for, quando os dados são armazenados e compartilhados em formatos antigos ou obsoletos, com o tempo se tornará cada vez mais caro o acesso aos mesmos, sendo que eles podem até mesmo desaparecer.

Quando estamos falando de documentos que podem ser criados, armazenados e compartilhados digitalmente, a tecnologia para a prevenção do desaparecimento devido a formatos já existe e está tornando-se cada vez mais popular. Ela é chamada de Formatos para Documentos Abertos (Open Document Format – ODF) e se você ainda não o usa, algum dia irá usar.

O ODF é um formato de marcação de documentos baseado em XML que foi inicialmente desenvolvido em 1999 pela Stardivision e então no projeto OpenOffice.org, financiado pela Sun Microsystem. Concebido para ser uma alternativa a um software proprietário de manipulação de documentos, que então dominava completamente o mundo, a força motriz que impulsiona o ODF é a necessidade de um formato de documentos independente de fabricante ou de aplicação, que possa ser escrito e aberto por todos, sem a necessidade de royalties ou de licenciamento. Ele foi promovido com a idéia de que empresas e consumidores possam economizar dinheiro. Um formato aberto pode criar competição na esfera das aplicações de escritório. Todos os documentos podem ser abertos e compartilhados por todos. Não haveria perdas pelo tempo ou por mudanças em códigos proprietários ou pelas exigências de licenciamento. Informações de grande interesse público, como informações censitárias, informações sobre o clima, estatísticas sobre saúde, informações de investigações, registros jurídicos e informações de pesquisas científicas, pagas com os empostos dos contribuíntes, não precisariam mais serem escritas em um formato proprietário e fechado, obrigando os cidadãos a pagar duas vezes pelo acesso à informação que eles próprios produziram. Usando ODF, dizem seus proponentes, os documentos públicos permanecem sempre públicos.

A Organização para o Avanço dos Padrões de Informação EstruturadaOrganization for the Advancement of Structured Information Standards – OASIS) foi criada em 2002 para padronizar o formato, que foi reconhecido pela Organização Internacional para PadronizaçãoInternational Organization for Standardization – ISO) em 2006. Em Março de 2006 foi fundada a Aliança para o Formato Aberto de Documentos (Open Document Format Alliance) para promover o formato, criando condições públicas, legais e políticas para a adoção de padrões abertros de tecnologia por parte de instituições públicas egovernos.

– A Red Hat é um dos membros fundadores da ODF Alliance e Tom Rabon (Vice-presidente para assuntos corporativos) é parte do conselho executivo da organização. – diz Stephanie McGarrah, antiga Gerente de Políticas Públicas da Red Hat. – A Red Hat trabalha com os outros membros do conselho executivo para coordenar esforços e conversar com os governos de todo o mundo sobre o ODF.

Embora o ODF tenha sido lançado com um grande impulso derivado do bom-senso soprando forte, o momento para adoção em massa do formato foi enfraquecido pela inércia da burocracias, políticas locais, conceitos errôneos persistentes sobre a viabilidade do ODF (reforçados por oponentes do formato) e pelos “perigos” da adoção do formato. Muito do medo, incerteza e dúvida surgiram de uma fonte, cujos formatos proprietários são usados na maior parte dos documentos de todo o mundo.

Os oponentes do ODF não aceitam a sua adoção inevitávl, e ativamente fazem lobby contra ele. Não é que todos sejam contra o ODF per se, ou que tenham encontrado alguma razão real que questione a necessidade do mesmo. A lógica por trás do ODF e a transparência na sua criação é algo que dificilmente pode ser questionado. Na verdade, é a questão de padrões abertos que está por trás do ODF que é o alvo principal. Do ponto de vista dos detratores do formato, as coisas estão indo muito bem do jeito que estão atualmente. O “padrão” é deles, eles são donos do “mercado” de documentos, e pensam nele como um “território” “conquistado” de maneira limpa. Eles não conseguem imaginar um futuro sem esse “território” (isso sequer consta de seu plano de negócios), e já que todos utilizam suas aplicação e formatos, por que mudar? Os oponentes do ODF devotam recursos consideráveis no lobby de comissões de aconselhamento de TI tanto no Executivo quanto no Legislativo em uma tentativa de convencê-los de que a adoção do ODF na realidade limita a escolha e fere a eficiência do modelo de mercado ao “expulsar” empresas como eles. Eles afirmam que a migração é cara, e até mesmo argumentam que a adoção do ODF irá limitar o acesso público ao fatiar o ambiente de TI em milhares de formatos “incompatíveis”. E quem realmente confia em toda essa idéia de “gratuito”?

Mas os propontentes do formato, como a ODF Alliance, tem seus próprios argumentos, muitos deles partindo do princípio de refutação que diz que “Inicialmente, o oponente está certo…”

A ODF Alliance afirma que os padrões abertos na verdade promovem a escolha e a competição entre fabricantes ao definir as regras básicas do jogo. Os padrões são abertos e disponíveis livremente para que qualquer um possa implementá-los. Não existe nenhuma competição envolvendo o formato, e sim a aplicação que será usada para o manipular. Nesse universo, a melhor aplicação ganha. A ODF Alliance também aponta que implementar ou migrar para ODF não é mais complicado ou custoso do que a atualização períodica de uma versão de uma aplicação proprietária para a seguinte, e ao tornar a mudança para versões futuras mais simples, existe uma redução nos custos ao longo do tempo. Quanto à questão de disponibilidade de aplicações, o OpenOffice (e outras aplicações que seguem o ODF) podem ser copiadas da internet livremente e podem ser usadas já. Não existem questões de compatibilidade na realidade, dizem os defensores, apenas questões de não-cooperação.

– Acho que muitos governos não sabem da existência ou não têm um corpo técnico capaz de entender o valor do ODF. – explica McGarrah. – Portanto, o trabalho da aliança divulgar essa mensagem para as pessoas nos governos que possam tomar tais decisões.

Mas o principal argumento em favor do uso do ODF para documentos públicos é o fato de que é um melhor negócio para os cidadãos no longo prazo. Usar software proprietário e com padrões fechados para documentos públicos é como comprar uma privada de 10 mil dólares, ou proibir o governo federal de negociar preços melhores nos remédios a serem distribuídos pelo SUS, ou tentar suprir um exército e apoiar a reconstrução de antigos campos de batalha por meioo de contratos secretos, não licitados e não competivitivos. É a não competitividade em seu pior sentido.

Apesar da oposição, a adoção do ODF está indo em frente, devagar mas inexoravelmente, e conforme os governos vão entendendo melhor o ODF, o ODF vem desafiando a atual ubiqüidade dos formatos proprietários. Indo mais adiante, o Japão obrigou recentemente que todos os contratos de seus ministérios com vendedores de software fossem feitos de modo a envolver padrões abertos. Brasil, Polônia, Malásia, Itália, Coréia, Noruega, França, Holanda, Dinamarca, Bélgica, o Estado de Massachusetts nos EUA e o Estado de Dehli na Índia estão todos fazendo mudanças nas leis de forma a adotar o ODF e, provavelmente mais importante de tudo, reconhecer o imperativo de usar-se padrões abertos. A ODF Alliance continuar a armar e iluminar os legisladores com as informações e ferramentas que eles precisam para fazer recomendações e mudanças de políticas, mas ninguém que promova o ODF acredita que sua adoção em massa é iminiente. Ela levará algum tempo.

– Esses legisladores tem muitas outras coisas importantes para resolver, como saúde, educação, transporte, combate a pobreza e outros, portanto decisões sobre tecnologia não estão normalmente no topo de suas listas. – diz McGarrah – Já tivemos avanços quanto a uma maior adoção do ODF. Muitos governos adotaram o ODF e estão trabalhando na implementação do padrão, mas ainda há muito o que fazer.

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BrOffice.org: Tabelas Pivôs com outro nome

Por Bruce Byfield (2007-07-31 11:31)

O Assistente de Dados é o equivalente no BrOffice.org ao que o MS Excel e outras planilhas eletrônicas chamam de tabelas pivô (pivot tables). Sob qualquer nome, eles são uma ferramentas para extração e sumarização de conteúdo contido nas células de uma planilha de uma maneira conveniente. Usando um Assistente de Dados, você pode imediatamente ver relacionamentos entre várias informações que poderiam ser difíceis, senão impossíveis, de serem encontradas usando fórmulas, e tediosos de serem extraídos manualmente. Portanto, um Assistente de Dados lhe dá uma parte do poder de um banco de dados sem precisar realmente sair da planilhas. Não surpreende, portanto, que algo em torno de metade dos usuários de planilhas eletrônicas utilizem Assistente de Dados ou tabelas pivôs.

Para entender a utilidade do Assistente de Dados, imagine que você seja um fabricante de tocadores de arquivos Ogg Vorbis vendendo-os no mercado norte americano. Seu produto vem em duas cores, bege e preto, e com tamanhos de 80, 150 e 300 megabytes cada, vendidos em conjuntos. Para cada venda, você registra o total de conjuntos vendidos e o preço total. Em uma planilha, os seus dados pareceriam-se com algo como abaixo:

Country Color Size Quantity Price
Canada Beige 80 1 $500.00
USA Black 150 5 $5000.00
Mexico Beige 80 1 $500.00
Mexico Beige 80 2 $1000.00
US Black 150 3 $3000.00
US Beige 300 2 $4000.00
US Beige 300 7 $14,000.00
Canada Black 300 4 $8000.00
Total $36,000.00
Note que todas as colunas possuí rótulos. Esses rótulos são um pré-requisito para trabalhar-se com Assistentes de Dados.

Quando você for analizar esses dados, você pode querer saber as respostas para perguntas como “quantas unidades de cada cor foram vendidas” ou “quantas unidades foram vendidas em cada país“. Você pode obter essas informações usando filtros e fórmulas, mas criar um Assistentes de Dados é muito mais rápido.

Por exemplo, para achar rapidamente quantos conjuntos foram vendidos por país, você poderia criar o seguinte Assistentes de Dados:

Filter
Country -all-
Quantity
1 $1,000.00
2 $5000.00
3 $3000.00
4 $8000.00
5 $5000.00
7 $14,000.00

Vendas para todos os países são apresentadas por padrão. Porém, se você usar o filtro no alto do Assistentes de Dados, você poderâ ver as vendas apenas para o Canadá:
Filter
Country  Canada
Quantity
1 $500.00
4 $8000.00
As células cinzas em cada Assistentes de Dados representam os filtros que você pode usar para o modificar. Clicando em um desses filtros, você pode mudar a informação apresentada no Assistentes de Dados.

Adicionalmente, você pode arrastar os outros filtros para novas posições de modo a modificar como a informação é apresentada. Por exemplo, se você arrastar o filtro Country para a direita da coluna Quantity no Assistentes de Dados existente, ele irá apresentar agora a quantidade vendida separada por país, com as primeiras linhas como o exemplo abaixo:

Filter
Quantity Country
1 Canada $500.00
Mexico $500.00
2 Mexico $1000.00
US $4,000.00

Como você pode perceber, um Assistentes de Dados é uma forma ideal de obter-se novas perspectivas dos dados com o mínimo de esforço.

Criando um Assistentes de Dados

Para começar a criar um Assistentes de Dados, selecione a faixa de células que você deseja que seja a fonte dos dados, então selecione Dados | Assistente de Dados | Iniciar para abrir a caixa de diálogo do Assistentes de Dados. Alternativamente, escolha o mesmo item do menu, então selecione uma fonte de dados que você já registrou no BrOffice.org usando Arquivo | Novo | Banco de Dados e uma faixa de dados da mesma.

A janela do Assistentes de Dados lhe dá um diagrama do Assistentes de Dados que você está criando e uma lista de colunas da fonte de dados. Para criar o layout geral da fonte de dados, tudo o que você tem que fazer é arrastar o nome da coluna para os espaços Coluna ou Linha, e então eles se tornarão a primeira célula de uma linha ou coluna conforme o indicado (no Assistentes de Dados mostrado anteriormente, Quantity foi escolhida como coluna, e nenhuma linha foi escolhida). De maneira similar, se você arrastar uma coluna para o campo de Dados, ele irá se tornar os dados no Assistentes de Dados (no primeiro exemplo acima, o campo Price). A única escolha que pode causar confusão é o campo de Página, que é na realidade apenas o filtro desejado para alterações no conteúdo do Assistente de Dados em tempo real (no primeiro exemplo, o campo Country). Se você fizer algo errado, você pode arrastar a coluna de volta para a lista de colunas da direita.

Uma vez que você tenha feito a configuração básica, você pode também escolher qual será a função a ser usada pelo Assistentes de Dados. Nos exemplos anteriores, foi usada simplesmente a função padrão Soma, o que na maioria dos casos será tudo o que você irá precisar. Porém, você pode também utilizar outras dez funções padrão: Contagem, Média, Máx., Min., Produto, Contar (Somente Números), DesvPad (exemplo), DesvPad (População), Var (exemplo) e VarP (população). Se preciar, você poderá encontrar detalhes sobre o que cada uma dessas funções faz na documentação online do BrOffice.org.

Por padrão, o Assistentes de Dados é criado imediatamente embaixo da faixa de dados na qual ele se baseia. Porém, se você selecionar o botão Mais na caixa de díalogo, você podera definir as células ou a planilha na qual ele será criado. Você também pode definir opções adicionais, como ignorar linhas vazias. porém, para a maioria dos casos você pode simplesmente ignorar essas opções, principalmente se você está começando a trabalhar com Assistentes de Dados, pois em geral os padrões serão satisfatórios.

Após criar o Assistentes de Dados, selecionar partes dele irá ativar a opção Dados | Assistentes de Dados | Atualizar, se você precisar atualizá-lo devido a alterações na informação original. O mesmo submenu contêm um item Excluir que você poderá usar quando não precisar mais do Assistentes de Dados.

Conclusão

Aprender a trabalhar com Assistentes de Dados leva algum tempo. Novos usuários devem entender que são as colunas, e não as linhas, que deveriam conter rótulos. Eles também deveriam controlar quais colunas contêm dados e quais não: se essas colunas não forem levadas para o campo de Dados na caixa de diálogo, os resultados não irão fazer sentido. Porém, para muitas pessoas, será apenas questão de algumas tentativas para dominar-se os básicos dos Assistentes de Dados.

Não demorará muito tempo para que você enxergue seus dados de formas que você nunca imaginou antes. Após isso, o que você irá fazer com os Assistentes de Dados será limitado apenas pela sua imaginação.
Bruce Byfield é um jornalista da área de informática que escreve para a Datamation, Linux.com e Linux Journal.

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