Mudando de Assunto: Mais animes que andei assistindo

Para quebrar a rotina, vou falar agora de mais alguns animes que andei assistindo recentemente.

O anime Grandes Detetives de Agatha Christie: Poirot e Miss Marple (Agasa Kurisutī no Meitantei Powaro to Māpuru) é um anime bastante interessante, principalmente para os fãs de Agatha Christie. Na realidade, ele é uma versão para Anime de vários casos clássicos dos dois detetives de Agatha Christie, Hercule Poirot e Miss Marple. Na verdade, existe apenas uma inclusão, a da jovem Mabel (ou Maybelle) West, filha de Raymond West, por sua vez, sobrinho de Miss Marple, que faz a ponte entre os dois personagens, apesar de em momento algum Poirot e Marple agirem em conjunto.
Tudo começa com Maybelle participando de uma festa onde também estão presente Poirot e seu assistente, Hastings. No meio da festa também conhecimeos Oliver o pato de estimação (?!) de Maybelle. Um colar valioso desaparece e, em meio a acusações injustas, Maybelle ajuda (ainda que pouco) Poirot e Hastings a resolverem o caso. Os casos vão se sucedendo, com Maybelle ajudando Poirot em vários casos, assim que ela é aceita como ajudante do mesmo. Quando não está ajudando Poirot, Maybelle passa alguns dias em St. Mary Mead, onde ajuda sua tia-avó, Jane Marple, a resolver outros mistérios.
Os puristas de Agatha Christie podem achar que tudo isso não passou de uma desculpa para fazerem um anime shoujo fofinho com uma garotinha e um pato de estimação ao estilo dos antigos clássicos como Honey Honey. Mas a realidade é que o desenho tem muito do mistério de Agatha Christie, ainda mais em episódios longos, como os “Assassinatos ABC” e o “Expresso Plymouth”. Nesses episódios é possível ver que foi pego a tensão e mistério de Agatha Christie e traduzí-las para o Anime, sem exageros ou “viagens”. Ele é sério nesse quesito e não tem estilizações gráficas ou visuais que distorçam o clima de mistério. Além disso, a presença de Maybelle é limitada, ainda que ela (e Oliver) seja muito carismática e acabe ganhando um certo foco naturalmente, mas sem atrapalhar o objetivo de ser uma adaptação de Agatha Christie para Anime. O cuidado com as artes é primoroso. Realmente recomendado.

Na verdade, de certa forma não tem muito o que se falar de Azumanga Daioh. Quem não gosta pode simplesmente alegar que o anime é apenas um shoujo fofinho cujo objetivo é colocar um monte de garotas e seus problemas. Quem gosta não nega isso. Mas se posso utilizar uma definição simples para Azumanga Daioh é “Sakura Card Captors encontra Calvin e Haroldo“.
Azumanga Daioh é um conjunto de histórias sobre seis amigas de um colégio em Tóquio. A história começa com a chegada de Chiyo Mihama (Chiyo-chan), uma garota prodígio de 10 anos que, graças à sua inteligência, é mandada para o colegial, com garotas muito mais velhas que ela. Com o tempo vamos conhecendo as demais garotas: A super-competitiva Tomo; a tímida (e ocasionalmente assustadora) Sakaki; a dedicada Yomi; a sonhadora e dispersa Osaka e a atlética Kagura. Além delas, existem vários outros personagens envolvidos, como as professoras Yukari e Kurosawa (amigas e rivais, de certa forma).
As histórias não possuem nenhum tipo de cronologia ou ligação, mesmo dentro de um mesmo episódio. Na realidade, podemos pensar em Azumanga Daioh como uma “serialização” de tirinhas de jornal, o que corresponde à verdade: no Japão, Azumanga Daioh passava em spots curtos de cinco minutos, com um episódio de 25 minutos no final da semana. Com isso, foram totalizados 130 spots ou 26 episódios. E isso é interessante pois cada episódio é na realidade apenas um conjunto de spots, que por sua vez, embora possam ser ocasionalmente ligados entre si, não o são obrigatoriamente, podendo ser entendidos isoladamente. As gags visuais aproveitam muito as características das personagens, como a idéia dos “sonhos diurnos” de Osaka (com Chiyo voando usando suas maria-chiquinhas!) e o fato de Sakaki ser desajeitada com gatos (o que leva o gato da vizinhança a morder sua mão!!!).
É muito recomendado, principalmente por ser despretencioso e simples: apenas um anime para se divertir.

Se Azumanga Daioh é onde “Sakura Card Captors encontra Calvin e Haroldo“, podemos dizer que Lucky Star é onde “Sakura Card Captors encontra Genshiken“. A premissa básica de Lucky Star pode ser comparada com a de Azumanga Daioh: um grupo de garotas do colegial vivendo situações inusitadas. A grande diferença é que enquanto Azumanga Daioh é tem um estilo mais simples e inocente, Lucky Star é mais debochado e aloprado. A história gira em torno de Konota Izumi, uma otaku (no sentido japonês da palavra) que, embora inteligente, não consegue se concentrar em nada exceto mangás, animes e videogames. Suas amigas, as gêmeas Kagami e Tsukasa Hiiragi e Miyuki Takara seguem passando por situações insólitas com Konota.
O grande humor da série está em dois fatos consolidados por Azumanga Daioh e um que de certa forma é a base de vários anime, incluindo aí Genshiken: a simplicidade das histórias, a pouca relação entre os vários episódios do Anime (e mesmo das histórias dentro de um mesmo episódio) e a grande quantidade de referências à cultura de mangá/games/anime. Exemplos: Konota é vista várias vezes com um Nintendo DS nas mãos, a ponto de afirmar em certo episódio que não consegue dormir se não o ligar ao menos uma vez; em um certo episódio, a tia de Konota, policial de trânsito, está levando as gêmeas Hiiragi para a praia, até ser ultrapassada, o que dispara uma cena de racha de carro ao estilo Initial D; Konota trabalha em um cosplay café junto com Patricia Martin, uma otaku norte-americana que vai ao Japão por intercâmbio e cujo conhecimento da cultura japonesa se resume ao que se vê em anime, e assim por diante.
As referências a Animes, obviamente, são cortadas de alguma forma, como nomes de anime cujo som é podado (piiii) e imagens com quadriculação, mas é possível perceber as variadas citações a animes como Gundam e Dragon Ball Z e a bandas como Orange Road e L’Arc-en-ciel. Desse modo, o otaku pode se divertir pescando as diversas referências, que inclui até mesmo referências à série 24 horas.
Simplesmente um anime do tipo “desligue o cérebro”, Lucky Star é bom como diversão simples, sem pretenções.

Depois de séries fofinhas, é hora de falarmos de séries mais “sérias”. E começamos com Gunslinger Girls. A história toda lembra um pouco Evangelion e Lain: na Itália moderna, uma organização “secreta” (a Agência de Bem Estar Social), hospeda um braço militar especializado em contra-terrorismo, sendo sua divisão contra-terrorista a mais terrível: utilizando tecnologia cibernética, lavagem cerebral e treinamento intensivo, essa organização transforma meninas à beira da morte em assassinas mortais e extremamente leais. Unidas a um monitor (um agente que monitora, treina e comanda essas garotas) em um fratello, elas são mandads em missões de alto risco. Graças aos implantes e ao treinamento altamente intensivo, seus reflexos e habilidades são terríveis para qualquer um, sendo que normalmente seus alvos não sobrevivem (se a missão assim não determinar). O monitor é o único capaz de controlar essas garotas. Aos poucos, a série vai mostrando os problemas desse condicionamento: o corpo, não adaptado a suportar tanto o stress dos cibernéticos quanto as pressões do “condicionamento” (como a lavagem cerebral é chamada), as garotas podem perecer rapidamente. Além disso, o aumento no “condicionamento”, além de poder provocar a diminuição do tempo de vida das garotas, diminui sua capacidade de ação, ainda que aumente a lealdade ao monitor.
Aos poucos, a série vai mostrando as questões relacionadas ao uso de “armas humanas” (o que as garotas de certa forma são), e como os relacionamentos podem ser afetados dessa forma, principalmente com a formação (ou não) de amizades e afins. As crenças de cada um vão sendo colocadas a prova, além de noções de certo ou errado. Nesse ponto, é inevitável comparar Gunslinger Girls com Evangelion ou Lain, e embora os questionamento filosóficos não sejam tão profundos quanto nesses dois, eles estão lá, são presente e fazem parte da trama.
A série tem um trabalho requintado de reprodução dos cenários e uma preocupação com as cenas de ação. Além disso, o pano de fundo sobre os questionamentos filosóficos ajuda a pensar muito na frase “quem guardará os guardiões”. O que impede tais garotas pirarem? Será que o condicionamento excessivo, fazendo-as depender totalmente dos monitores, não pode ser perigoso? E será que é justo transformar tais garotas em soldados em uma guerra de adultos? A inocência da criança, o que vale? Aos poucos, quem assiste vai se questionando sobre tudo isso. Por isso que Gunslinger Girls aparece aqui e é recomendado.

Na última vez em que recomendei animes, listei Hikaru no Go entre os animes. Como falei de um anime de Go, falarei agora de um de Shougi, o Xadrez japonês, que é Shion no Ou. Mas diferentemente de Hikaru no Go, Shion no Ou é sobre mistério.
A história gira em torno de Shion, uma kishi (jogadora profissional de Shougi) cujos pais foram assassinados quando ela ainda era um bebê. Ela começa a trilhar seu caminho no Shougi, enquanto as investigações do assassinato de seus pais são reabertas após ser descoberto que ela estava sendo vítima de stalking (ou seja, alguém estava a seguindo). Conforme a trama vai se desenrolando, percebemos que muito sobre o assassinato tem a ver com a habilidade de Shion em Shougi, assim como seu trauma (ela não fala nada, se comunicando por escrita com as outras pessoas, embora ela não seja nem surda e nem muda biologicamente). Existem ainda várias tramas paralelas, como a de Ayumi, um garoto que joga shougi vestido de mulher de modo a garantir dinheiro para pagar as despesas médicas de sua mãe doente.
Esse anime tem como grande diferença em relação a Hikaru no Go o fato que o Shougi ser apenas um MacGuffin: não é necessário saber jogar shougi para entender a trama, embora fique complexo com o tempo. De qualquer modo, é um anime bastante novo e interessante. Sua trama de mistério é cheio de idas e vindas, e qualquer um pode ser o assassino dos pais de Shion. Os mistérios vão se resolvendo aos poucos, mas o pouco que descobre-se vai apenas deixando tudo ainda mais confuso… Por isso mesmo é altamente recomendável.

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Sobre Fábio Emilio Costa
Linux, Free Software, EMACS, Rugby, Indycar, Doctor Who, Harry Potter... Yep, this is me!

4 Responses to Mudando de Assunto: Mais animes que andei assistindo

  1. DNA disse:

    Vale mencionar tb que tanto Azumanga Daioh quanto Lucky Star tem suas origens nas tirinhas de 4 quadros que vem no final das revistas semanais de animes, que acabaram fazendo sucesso e foram lançadas em tonkohon e animes =D

    Azumanga ainda não vi, mas Lucky star é genial! /o/

    Esse da Agatha Christie parece legal! vou caçar ele por aqui! Gunslinger Girl eu tenho gravado, mas faltou tempo… Já viu a segunda temporada?

  2. Tommy Beresford disse:

    Convido você e a todos para conhecerem um blog recém-lançado sobre…

    O Mundo de Agatha Christie
    http://acasatorta.wordpress.com

    Um abraço.

  3. inexbrasil disse:

    Excelente website. Acho que no Brasil faltam mais bolsas de estudo para Intercâmbio. Temos que conseguir que os governos olhem para os investimentos em educação com seriedade.
    Abraços!!!

  4. Renato Pereira disse:

    Achei interessante ler sobre o debochado e aloprado Lucky Star.
    Na verdade, eu entrei nessa página lembrando do Clannad (da Software Key), já que me deparei no google com a foto desta página: é quase a visão exata das gêmeas Ryou e Kyou Fujiibashi, Ibuki Fuko e também Sanae-san (disfarçada de professora).
    Alguém sabe se existe alguma ligação entre ambos?

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