Migração para o Debian

Existe um mito no mundo do Linux de que o Debian seja uma distro difícil. Aproveitando o carnaval e a crescente impaciência com o Fedora, decidi pegar os DVDs do Debian Sarge que adquiri à algum tempo e testar a distro.

Antes de mais nada, é importante enfatizar algumas coisas: não sou exatamente um neófito em Linux. Embora nunca tenha instalado o Debian antes, já instalei e usei, entre outras, Slackware, Fedora, Mandriva, Conectiva, SuSE, Kurumin e Ubuntu. Comecei a usar Linux em 98 com o Slackware Linux. Portanto, dificuldades à instalação não é algo que eu realmente não espere.
Iniciei o meu computador com o DVD 1 do Debian e optei pela instalação com o Kernel 2.6, uma vez que estou atualmente habituado com o mesmo. A instalação foi muito tranqüila, à exceção de um detalhe que me prejudicou na pós-instalação. Senti apenas falta do módulo sundance (módulo para as placas Ethernet Encore ENL832-TX-ICNT), mas essa falta também senti na instalação do Mandriva 2007. Portanto, nada demais: bastou obter os drivers via Net e compilar.
Após a instalação, o sistema reiniciou e testei, como costumo, o GRUB para ver se o dual-boot estava correto com o Windows XP da máquina. Estando OK, reiniciei e passei ao pós-instalação padrão do Debian Sarge. Tranqüilamente, fui confirmando as janelas baseadas em curses e acabei em um X com um login GDM.
Aqui começaram os “problemas”. Se o pós-instalação padrão foi tranqüilo, a customização foi onde começou a complicar.
O primeiro problema foi no ajuste da resolução do X. Nada demais: bastou passar para o initlevel 3, editar o arquivo /etc/X11/XF86Config-4 e corrigir as resoluções na seção Screen. Bastou voltar para o initlevel 5 e “derrubar” o X com Ctrl+Alt+Backspace e minha resolução foi para a correta.
Ao me logar, recebi um GNOME de uma versão antiga mas tranqüila. Aqui começaram as instalações (e problemas). A primeira instalação foi de 3 aplicações: BrOffice.org, Firefox e Thunderbird. Todos em suas versões mais atuais e copiadas dos sites oficiais. O BrOffice.org (2.1) foi copiado em formato .deb e instalado usando o dpkg (dpkg -i). Já o Firefox (2.0.0.1) e o Thunderbird (1.5.0.9) foram copiados em binários estáticos do site do Mozilla e instalado no diretório /opt.
Em seguida, recuperei um backup do meu antigo home do Fedora (utilizo todas as partições dentro da raiz em partição única). Antes, matei algumas pastas, como as pastas de configuração do KDE, do GNOME e do Firefox, de modo a manter informações importantes que tinha em outros programas (vi, EMACS e Thunderbird). Uma vez corrigido esse fator, o meu home estava quase todo OK, apenas exigindo alguma customização específica.
Porém, ainda faltava a conexão de Internet. E aqui percebi os defeitos da minha configuração na instalação: quando mandei a distro reconhecer apenas o DVD 1, acabei “perdendo” uma série de pacotes importantes, como o build-essential e o linux-kernel-headers correto para o kernel escolhido (2.6.8-2-k7). Até aí nada demais: coloquer o segundo DVD e usei apt-cdrom para rodar no segundo DVD e os pacotes foram reconhecidos e compilei o driver sundance, conforme as instruções do site Debian For Dummies.
Depois de compilado o driver, instalei o pacote pppoe para a configuração do Speedy ADSL. Como padrão no Debian, recebi uma janela curses onde fiz toda a configuração do sistema. Levantada a interface e a conexão ADSL, fiz alguns testes com ping e com o Epiphany (navegado do GNOME) e fiz testes por reinicialização e foi tudo OK.
Outra questão que começou a “pegar” foram os updates de segurança via apt. Achei um arquivo source.list do Debian no VivaOLinux.com, mas acabei causando várias confusões com os pacotes Marillat (para DVD e pacotes de áudio e vídeo non-free) e para o tipo de versão a deixar. Acabei decidido a manter apenas os sources da versão stable. Aos poucos, fui pesquisando minhas necessidades no Google e fui achando respostas, adicionando linhas e mais linhas no meu sources.list. Ainda estou adicionando alguns repositórios apt no meu source.list, mas pretendo depois “limpar” o source.list de “sujeira” do arquivo.
A pior parte envolveu o Thunderbird: como uso um sistema dual-boot, apesar de quase nunca usar Windows XP, mantenho um esquema de “compartilhamento” de arquivos do Local Folder do Thunderbird, assim como dos “chaveiros” GnuPG (usados no Enigmail). Toda vez que abri o Thunderbird acabava “travando-o”.
O problema aqui é o fato de que as configuração padrão no particionador Debian 9que também configura o /etc/fstab) implicam apenas em ativar as opções sync (sincronização das atividades I/O) e quiet (que não emite informações de erro para atividades na partição VFAT). Faltava ainda várias configurações. Para corrigir, adicionei algumas opções adicionais (uid=0, gid=0, umask=0000, user) para liberar escrita nas partições. Tudo isso acabou resultando na correção desses problemas.
Ainda falta algumas coisas, como instalação de Java, dvdcss (para descriptografia de DVD para assistir os DVDs que eu legalmente comprei) e alguns outros pequenos ajustes, mas creio que o pior do pós-instalação e da customização já está OK. Não dá para considerar que o Debian seja difícil de instalar, mas sim que ele demande cautela.

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Sobre Fábio Emilio Costa
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