Usuários avançados: Apóiem os novatos! Por favor!

Eu sou usuário do EMACS convicto, então, ao menos na teoria, seria um dos que teriam mais a ganhar com o post do Glaydson Lima, “Esqueçam o VI por favor“. Realmente, concordo com o Glaydson na seguinte citação:
Não existe problema algum em utilizar o editor preferido, mas me irrita a soberba de recomendar para um usuário novato, interessado a aprender Linux que se utilize o VI sem nenhuma menção que existem editores gráficos que fazem o mesmo serviço de forma mais intuitiva e, mesmo em situações de modo texto forçado, informar a existência de outros editores modo texto mais amigáveis. E não me venha com a desculpa que VI é um editor padrão que ensinando assim o usuário poderá utilizar em qualquer situação. Se o usuário sabe o que é o VI, ele saberá substituir um comando para utilizá-lo.

Realmente há um fato aqui: VI existe em tudo quanto é distro Linux, desde o Ubuntu ou o Fedora até mesmo pelas versões de manutenção em um disquete. Além disso, você encontra o VI em qualquer Unix ou Unix Like, não importa se estamos falando de Linux, Mac OS X, FreeBSD, Solaris ou o que valha. Poxa, existe até mesmo VI para Windows (Se duvida, procure a sessão de Downloads do site do VIM, o mais importante clone do VI, e veja com seus próprios olhos). Além disso, em muitos servidores remotos (quem quiser um interessante, a HP oferece um programa chamado HP Test Drive que oferece telnet a diversos servidores HP rodando muitas plataformas diferentes) a principal (senão a única) opção será o VI.
Mas e no caso do usuário comum? Porque tentar “socar goela abaixo” dele o VI? Apenas porque ele é ubiqüo? Porque não lhe mencionar emacs, mcedit, kate, gedit, ou mesmo o gvim, que torna o VI um pouquinho mais usável oferecendo a ele uma interface gráfica?
Acho que não existe desculpa em “forçar a barra”. Não interessa se estamos falando de EMACS, VI ou qualquer outra coisa: “forçar a barra” não é saudável. Uma das grandes vantagens do Linux em cima de outros SOs é o fato não apenas de exisitriem várias opções, mas que elas podem ficar disponíveis no momento da instalação. Uma instalação padrão de uma distro atual lhe dá pelo menos 3 editores de texto. Uma full pode te dar 10 (!!). Por isso mesmo é que eu acho que procurar limitar o conhecimento do usuário ao VI “apenas” por uma questão de imposição é extremamente ruim. O Glaydson ainda coloca o seguinte comentário:
Eu sou “acomodado”… se tem tanta coisa importante para aprender para que ficar decorando dezenas de comandos específicos para cada programa? Aí cai em outro problema dos novatos no Linux: muita gente acha que para usar Linux tem que ler o manual, saber compilar um arquivo .tar.gz e saber alterar o arquivo /etc/fstab. Três anos atrás, ao pedir a opinião a um amigo meu sobre qual Linux utilizar ele respondeu com desdém: “Qualquer um, hoje todo mundo instala Linux”. Imagina hoje que os Linuxs rodam em CD e tem um sistema de instalação com pouquíssimas perguntas.

Tudo bem, não discordo que o usuário precisam conhecer um pouco sobre o Linux. Isso já foi inclusive comentado anteriormente aqui nesse blog. Afinal de contas, se quando você dirige você precisa ter uma idéia do que a droga do óleo de motor faz, porque você não precisa saber o que o /etc/fstab faz? Mas ao mesmo tempo, será que é tão doloroso assim ser ser um pouco mais humilde? Temos que nos lembrar, como já comentei antes, que TODOS JÁ FOMOS  INICIANTES! Todos nós já não soubemos o que aquela p…a do /etc/fstab faz (para os não-iniciados: o /etc/fstab inclui informações sobre todos os sistemas de arquivo que o Linux irá montar na inicialização ou que poderão ser montados pelos usuários. Isso auxilia no boot, pois o sistema sabe quais os parâmetros das várias partições locais ou remotas a sere montadas, e no uso de comandos como mount).
Não tratemos mal os iniciantes, todos já fomos um. Esse é o meu recado no fim das contas. Para aqueles que sentem-se pouco a vontade com os iniciantes, o Linux Advocacy mini-HOWTO possui muitas idéias boas e comentários pertinentes sobre isso. Coloquem-se na pele do usuário iniciante e veja que muitas vezes podemos, mesmo com as melhores das intenções, sermos grosseiros e hipócritas.
Portanto, o recado final meu é uma espécie de chamado as armas: “usuários avançados: apóiem os novatos!!!”

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Sobre Fábio Emilio Costa
Linux, Free Software, EMACS, Rugby, Indycar, Doctor Who, Harry Potter... Yep, this is me!

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