Porquê minha opção pelo Software Livre (e de onde eu blogo)…

Esse post está sendo redigido em uma semana na qual o software livre teve um ganho muito importante, mesmo que de maneira indireta: o formato OpenDocument (usado, entre outros, por OpenOffice.org/BROffice.org e KOffice), foi aprovado pela ISO/IEC, tornando-se o padrão ISO 26300 (fonte Wikipedia).
Embora isso possa não querer dizer muita coisa (o caso do padrão OSI de redes serve de exemplo), é uma conquista para os defensores do software livre e dos padrões abertos. Recebido com frieza e até com hostilidade, o OpenDocument começa a se firmar como uma alternativa ao padrão de facto, o .doc da Microsoft.
Para comemorar, a comunidade OpenOffice.org lançou a campanha Get Legal – Get OpenOffice.org, com um selo para ser inserido nos sites/blogs que apóiam o OpenOffice.org (ou chamado no Brasil de BROffice.org, por causa de uma marca registrada e de uma ameaça de processo contra a comunidade OpenOffice.org), estimulando as pessoas a baixarem o OpenOffice.org. Do site:

De acordo com dados publicados pela Microsoft, 35% de todo software do mundo é potencialmente roubado ou de alguma outra forma ilegal.

Esses dados são verdadeiros e creditáveis, e não existe motivação que justifique a pirataria. Mas o ponto mais interessante da jogada vem a seguir:

Após anos de tolerância velada à pirataria como uma forma de garantir uma grande fatia de mercado, agora a Microsoft passou à ofensiva para grantir que todas as cópias de seu software são legais.”

Isso é fato: a Microsoft se beneficiou muito com a pirataria do seu software. A longo prazo, ela utilizou a estratégia conhecida nos meios de marketing como “fidelização”: ao “oferecer” seu sistema de maneiras “facilitadas” (por que não foi adotada proteções anti-cópia desde o começo?), agora ela defende que a pirataria é ruim, chegando até mesmo, por meio de instituições de combate à pirataria, como a BSA da Inglaterra, oferecer recompensas por informações que levem a piratas, principalmente no mundo corporativo.
Mas existe uma alternativa mais honesta, mesmo que não seja boazinha (ninguém disse que a Novell ou a Red Hat estão nessa pelos lindos olhos azuis de Linus Torvalds), que é o GNU/Linux e o software livre em geral.
Cada vez mais o software livre desponta como uma alternativa viável, e não apenas como um plano de futuro ou como um brinquedo de geeks e maníacos por internet, ou como uma coisa para pequenas empresas. Na palestra que dei recentemente e sobre a qual falei nesse blog (disponível no Internet Archive para download) eu mostrei que existem grandes empresas e instituições se envolvendo com o software livre. Fico imaginando que Samuel Klein das Casas Bahias deve ter apoiado o uso de GNU/Linux na sua empresa não apenas por custos iniciais, mas pelo downsizing menor, por não estar atrelados a um fornecedor (se eles quiserem mandar a IBM às favas, sem problema… Existem outros fornecedores).
Agora, tirando tudo isso, o que me levou ao Software Livre?

  1. Aprendo conforme desejo: eu vou usando as ferramentas que quero e indo com elas até eu decidir que está bom;
  2. O computador se adapta a mim, não eu a ele: tendo muitas opções de distros, Interfaces, navegadores, editores, leitores de email… eu sempre consigo achar uma que me agrade mais e que satisfaça as minhas necessidades. Por exemplo, uso EMACS, mas não porque ele seja “o melhor”, mas porque para mim, ele satisfaz minhas necessidades. Se meus amigos, por exemplo, preferirem o VI, não vou nem lamentar: free software também é free as in choice (livre como em liberdade de escolha);
  3. Programas Highlander: a verdade é que é muito difícil minar o software livre. Quem foi (como eu) no passado usuário do OS/2 da IBM sabe do que estou falando: o poder mercadológico da MS atropelou o OS/2, mais competente mas menos divulgado. As pessoas que fazem SL, e aqui não falo apenas de desenvolver os programas, mas também de criar documentação, apostilas, cursos, materiais, ferramentas, seminários, “evangelizar” novos usuários, etc… estão nesse jogo pelos mais diversos motivos: aprendizado, diletantismo, grana… cada um decide o seu motivo, mas todos colaboram;
  4. “A regra é clara!”: tomo a frase do Arnaldo César Coelho emprestada, pois, mesmo as empresas mais dispostas a “vampirizar” o software livre estão nessa às claras: é uma coisa de todos conhecerem quem é quem. Alguém supunha que a Red Hat poderia permanecer para sempre distribuindo CDs Acho que não. Porém, quando ela criou o Projeto Fedora, deu um espaço. Claro que ela se oxigena em seu Red Hat Entreprise através o Fedora, da mesma forma como no caso de SuSE/OpenSuSE, StarOffice/OpenOffice.org. Mas creia, todos estão cientes do risco;
  5. Desafio: algumas vezes, os desafios de implementar uma nova característica ou recurso no nosso ambiente de uso cotidiano (como instalar uma placa de Wireless, configurar uma impressora ou detectar uma câmera fotográfica digital) torna para mim tudo muito interessante, pois eu sei que estou crescendo como profissional de informática, melhorando minhas capacidades, me tornando mais preparado para o futuro.

Bem, essas são as minhas motivações para usar Software Livre. E as suas, quais são?


PS: De onde eu blogo…

Aproveitando a campanha do pessoal, aqui vai o meu “ponto de blogagem” (existe essa palavra? :D)


Especificações “técnicas”:

  • Local: Borda da Mata, MG, Brazil (Latitude: 22º 16′ 27″ S, Longitude: 46º 09′ 55″ O);
  • Quando: 07 de maio de 2006 (Domingo)
  • O que:

    • Processador: AMD Semprom 2800+ (2 GHz);
    • Memória: 1GB;
    • HD: 80 GB;
    • Vídeo: 32 MB Compartilhada (SIS 720);
    • Som: On board AC97 compatível;
    • Monitor: Samsung SyncMaster 551v;
    • Mouse: Genius NetScroll Optical (USB);
    • Wireless: DLink DWL-520+;
    • SOs: Dual-boot: Normalmente (99% do tempo) no Mandriva Linux 2006 Free;
    • Programas Úteis: OpenOffice.org, EMACS, XINE, MPD (Music Player Daemon), Mozilla Thunderbird, Mozilla Firefox, Yakuake, Superkaramba;
    • Extensões Úteis (Firefox): Performancing, Yoono toolbar, StumbleUpon, Fasterfox, Flashgot, Flashblock, AddBlock, Add Bookmark Here, CrashRecovery, DiggThis, FoxyTunes, LiveLines, MediaPlayerConectivity, SmoothWeel, TabMix Plus, Save Image in Folder, ReloadEvery;
  • Acessórios”: headset para o Skype (quando uso) ou para quando quero ouvir músicas em paz; porta-trecos com canetas de todos os tipos e outras cositas más; papéis e CDs de diversos tipos espalhados na mesa; fio para a antena de wireless;

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Sobre Fábio Emilio Costa
Linux, Free Software, EMACS, Rugby, Indycar, Doctor Who, Harry Potter... Yep, this is me!

One Response to Porquê minha opção pelo Software Livre (e de onde eu blogo)…

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