Linux… e mais coisas

Um espaço para dizer um pouco mais sobre coisas interessantes…

Posts de Fevereiro, 2007

BrOffice.org: Conectando o OpenOffice.org ao MySQL

Publicado por Fábio Emilio Costa em 28 28UTC Fevereiro 28UTC 2007

Tradução do artigo “Connect OpenOffice.org to MySQL“, do Linux.com, escrito por Dmitri Popov.
Link original: http://www.linux.com/article.pl?sid=07/02/12/1736203.

Uma das boas coisas do OpenOffice.org é a capacidade dele de usar diferentes sistemas de banco de dados. Basta que ele receba o driver correto e o OpenOffice.org pode se conectar a virtualmente qualquer banco de dados, inclusive ao MySQL. Porém, decidir qual driver de banco de dados usar e como estabelecer a conexão entre o MySQL e o OpenOffice.org pode ser um pouco difícil. Vamos dar uma olhada no processo.
Primeiro de tudo, você deve escolher qual driver (também conhecido como conector) deverá ser usado. O MySQL oferece dois conectores que permite que você manipule dados do MySQL a partir do OpenOffice.org: o driver ODBC para MySQL (Connector/ODBC) e o driver JDBC para MySQL (Connector/J). O último é mais fácil de instalar e configurar, e pode ser usado em Linux, Windows e MacOS/X (ele inclusive funciona com o NeoOffice) exatamente do mesmo modo. Porém, como o seu nome sugere, o Connector/J exige que o Java esteja instalado em sua máquina. Apesar de agora o nível de liberdade do Java já não é mais uma preocupação, você ainda precisará ter certeza de que o ambiente do Java (Java Runtime Environment – JRE) está instalado e foi adicionado no OpenOffice.org. Outro problema com o Connector/J, mais sério, é a funcionalidade razoavelmente limitada quando ele é usado com o OpenOffice.org Base. Por exemplo, usando a GUI do Base, você pode criar uma chave primária, mas não pode ativar a propriedade auto_increment dele. Você pode contornar essa limitação, você pode criar o banco de dados usando o editor interno de SQL (Ferramentas | SQL). Por exemplo: `ID` INT( 10 ) NOT NULL AUTO_INCREMENT PRIMARY KEY. Além disso, você pode usar ferramentas à parte, como o phpMyAdmin ou o HeidiSQL.
O Connector/ODBC não possui tais limitações, mas instalá-lo e configurá-lo é um processo mais complicado. Além disso, no Linux, o conector funciona melhor quando o banco de dados MySQL está instalado na mesma máquina, pois o driver espera encontrar o arquivo mysql.sock em um determinado diretório, falhando em se conectar se ele não for encontrado lá (como pode acontecer com conexões remotas). Claro que você pode fazer o driver se conectar a um banco de dadosremoto, mas como isso exige certos esoterismos, normalmente não vale a pena – principalmente no caso de você planejar instalar o driver em múltiplas máquinas.
Como uma regra rápida, tente primeiro usar o Connector/J se você estiver rodando Linux ou MacOS/X e você se sentir a vontade usando SQL, ou ainda puder editar o banco de dados usando uma ferramenta à parte. Se você for um usuário Windows ou Linux com o MySQL instalado na máquina, então você pode optar pelo Connector/ODBC.

Usando o Connector/J:

Para começar a instalação do driver JDBC do MySQL (Connector/J), copie-o do site da MySQL, descompacte o arquivo copiado e mova o arquivo mysql-connector-java-x.x.x-bin.jar resultante para um local conveniente (por exemplo, seu diretório home). No OpenOffice.org, escolha Ferrmanetas | Opções | Java. Verifique se um JRE Java adequado está selecionado e então clique no botão Class Path. Em seguida, clique em Adicionar Arquivo e selecione mysql-connector-java-x.x.x-bin.jar. Clique em OK para salvar as configurações e feche a janela, e então reinicie o OpenOffice.org.
Agora você está pronto para conectar o OpenOffice.org à sua base de dados MySQL. No OpenOffice.org, escolhar Novo | Banco de Dados. No Assistente de Banco de Dados, selecione a opção “Conectar a um banco de dados existente”, selecione MySQL da lista e clique “Próximo”. Selecione a opção “Conectar usando JDBC (Java Database Connectivity) e clique “Pŕoximo”. Especifique o nome do banco de dados e o endereço do servidor usando os campos apropriados. Para garantir que o driver de JDBC do MySQL está funcionando corretamente, clique o botão “Test class”. Uma vez que o driver seja carregado corretamente, clique “Próximo”. Entre com o nome do usuário do banco de dados no campo “Nome do usuário”. Se o usuário adicionado exigir uma senha, marque a caixa “Senha obrigatória”. Para ver se tudo funciona como esperado, clique no botão “Testar conexão”. Clique no botão “Próximo”, selecione a opção “Sim, registre o banco de dados para mim” e clique em “Concluir”. Dê um nome ao banco de dados e salve-o.

Usando o Connector/ODBC no Ubuntu:

Se o Connector/J funcionar para você, tudo bem. Caso contrário, tente o Connectior/ODBC. O processo para o fazer funcionar é um pouco diferente, dependendo do fato de você estar no Linux ou no Windows. Vamos primeiro falar do Linux – especificamente, o Ubuntu.
Antes de mais nada, instale os pacotes exigidos. Abra o Synaptic e marque para instalação os seguintes pacotes: unixodbc, libmyodbc, e unixodbc-bin. O último pacote contêm as ferramenta GUI para configurar uma conexão com uma base de dados MySQL, que iremos usar ao invés de nos envolvermos com arquivos de configuração.
Uma vez que os pacotes estejam instalados, lance a ferramenta de configuração do ODBC usando o comando sudo ODBCConfig em um terminal. Clique na aba DNS do sistema e clique no botão Adicionar. Clique Adicionar novamente para cirar um novo driver ODBC. Dê ao novo driver um nome e descrição usando os campos apropriados. Assumindo que você está usando a versão 32 bits do Ubuntu, especifique o caminho para o arquivo libmyodbc.so no campo “Driver” (/usr/lib/odbc/libmyodbc.so) e entre com o caminho para o arquivo libodbcmyS.so no campo “Configuração” (/usr/lib/odbc/libodbcmyS.so). O resultado final irá parecer com o da figura. Clique no botão “Salvar e Sair” para salvar as configurações e então clique em OK para abrir a janela de propriedades da Fonte de Dados. Dê à fonte de dados um nome, entre uma descrição, e então especifique o endereço do servidor MySQL, o nome do banco de dados e a porta. Clique OK e estamos prontos para continuar.
Conectar o OpenOffice.org ao banco de dados MySQL usando a conexão criada é apenas uma questão de escolher as opções corretas no Assistente de Banco de Dados. No OpenOffice.org, escolha Novo | Banco de Daods. No Assistente de Banco de Dados, escolha “Conectar a um banco de dados existente”, selecione MySQL da lista e clique “Próximo”. Selecione a opção “Conectar usando ODBC (Open Database Connectivity) e clique “Pŕoximo”. Pesse para o Assistente a conexão ODBC criada usando o botão “Procurar”. Clique “Próximo” e entre com o nome do usuário do banco de dados no campo “Nome do usuário”. Se o usuário adicionado exigir uma senha, marque a caixa “Senha obrigatória”. Para ver se tudo funciona como esperado, clique no botão “Testar conexão”. Clique no botão “Próximo”, selecione a opção “Sim, registre o banco de dados para mim” e clique em “Concluir”. Dê um nome ao banco de dados e salve-o.

Usando o Connector/ODBC no Windows:

Se você está rodando o OOo no Windows, copie o driver ODBC para MySQL (Connector/ODBC), descompacte o arquivo copiado e execute o programa de instalação. Vá até Painel de Controle | Ferramentas Administrativas e de um duplo clique em Fontes de Dados (ODBC). Clique no DSN do Usuário e clique no botão “Adicionar”. Na lista dos drivers disponíveis, selecione “MySQL ODBC Driver”, e clique OK. Isso irá abrir a janela de configuração do Connector/ODBC. Na seção “Login”, entre a informação exigida nos campos apropriados. Clique “Test” para ver se a conexão criada funciona apropriadamente, então clique OK para salvar as configurações e fechar a janela. No OpenOffice.org, crie um novo banco de dados, como descrito anteriormente.

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Migração para o Debian – o Retorno

Publicado por Fábio Emilio Costa em 22 22UTC Fevereiro 22UTC 2007

Minha peregrinação no mundo Debian continua…

Logo de cara, tive alguns problemas com a questão dos repositórios que citei anteriormente e consegui, de algum modo, chegar em um estado onde a distro como um toda tornou-se instável demais. Acabei por causa disso começando uma nova instalação. Agora, mais experiente, resolvi experimentar um pouco mais a instalação.
A minha primeira surpresa nessa nova instalação o fato de perceber que, por algum motivo, o Debian não configura dual boot se você utilizar qualquer outro formato de arquivo que não o ext3. Explico: o Debian só faz a auto-detecção de partições Windows quando você solicita a instalação em partição ext3. Em outros casos, ele instala o tradicional lilo ao invés do grub, mais sofisticado. Além disso, ele não configura a partição Windows no lilo.conf. Como qualquer um que já tenha configurado o lilo poderá afirmar, não é uma coisa tão simples assim realizar essa configuração, uma vez que, diferentemente do grub que consegue ler os seus arquivos de configuração em runtime, o lilo exige que o mesmo seja reinstalado na MBR no momento em que houverem alterações na configuração do mesmo.
Desta forma, ao invés de instalar o XFS ou o ReiserFS, como eram meus planos, mantive o ext3. Isso, porém, não foi ruim.
Agora, mais vacinado, mandei que o instalador detectasse os dois DVDs do Sarge. Sem problemas. A net continuou ficando indisponível na instalação, o que impediu que o próprio instalador buscasse atualizações na Internet. Mas novamente sem problemas. Com os drivers da placa Encore aonde meu modem ADSL fica ligado à mão e com os pacotes necessários instalados, foi apenas uma questão de compilar e instalar o driver e configurar o ADSL por meio do pppoe. Também fiz as correções no /etc/fstab para que o Thunderbird pudesse escrever nos arquivos de Local Folders. A instalação do mesmo foi tranqüila, junto com a do Firefox.
Quanto ao BrOffice.org, que não estava funcionando, mandei uma mensagem de socorro que foi respondida pelo Hamacker, com um link para seu passo-a-passo do BrOffice.org no Debian Etch. Desse modo, precisei primeiro “passar” meu Debian Sarge para Etch. Uma pesquisa rápida no Google e cheguei a esse link no wiki do Fórium Debian com instruções para atualizar o Debian Sarge para o Etch. Como antes tinha copiado um sources.list do Debian For Dummies, apenas editei algumas linhas e mandei executar os comandos apt-get -y update e apt-get -y dist-upgrade.
Deixei durante a madrugada, pois baixei mais de 800 megas de pacotes para instalar. Ao acordar na manhã seguinte, recebi as janelas curses tradicionais e configurei corretamente o Debian. No meio, porém, recebi uma mensagem de erro de dependência de pacotes. Nada demais: mandei o comando apt-get -y dist-upgrade novamente e sem problemas, a instalação completou. Em seguida, reiniciei meu X e recebi uma nova janela de login GDM e um papel de parede diferenciado, indicando, de certa forma, que meu micro já era um Debian Etch. Em seguida, segui as dicas do passo-a-passo do Hamacker e o BrOffice.org instalou normalmente.
No caso do Java, tentei recorrer a todas as soluções que obtive na net, mas acabaram não dando certo. Acabei então recorrendo à instalação do pacote JDK 6.0 + NetBeans 5.5 do site da Sun, seguido da configuração das variáveis ambientais JAVA_HOME (para a pasta /opt/jdk), CLASSPATH (para $JAVA_HOME/jre/lib) e PATH (para $JAVA_HOME/jre/bin) e a adição dos comandos em /etc/profile.
Quando comecei então a instalar vários pacotes úteis (player de áudio, codecs, clientes de emule e BitTorrent), qual não foi minha surpresa ao começar a sofrer quebra de dependência. O fato então foi que eu não mantive os repositórios sarge, mandando todos para etch. Bastou reconfigurar os depositórios sarge no sources.list, dando prioridade menor para estes (mandando-os para o final da lista) e ficou tudo certo.
Creio que não terei muitos problemas a mais depois disso, uma vez que o Debian mostrou-se bem estável e rápida, mesmo na versão Etch, versão que ainda está em beta, sendo considerada instável e desaconselhada para produção.

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Migração para o Debian

Publicado por Fábio Emilio Costa em 19 19UTC Fevereiro 19UTC 2007

Existe um mito no mundo do Linux de que o Debian seja uma distro difícil. Aproveitando o carnaval e a crescente impaciência com o Fedora, decidi pegar os DVDs do Debian Sarge que adquiri à algum tempo e testar a distro.

Antes de mais nada, é importante enfatizar algumas coisas: não sou exatamente um neófito em Linux. Embora nunca tenha instalado o Debian antes, já instalei e usei, entre outras, Slackware, Fedora, Mandriva, Conectiva, SuSE, Kurumin e Ubuntu. Comecei a usar Linux em 98 com o Slackware Linux. Portanto, dificuldades à instalação não é algo que eu realmente não espere.
Iniciei o meu computador com o DVD 1 do Debian e optei pela instalação com o Kernel 2.6, uma vez que estou atualmente habituado com o mesmo. A instalação foi muito tranqüila, à exceção de um detalhe que me prejudicou na pós-instalação. Senti apenas falta do módulo sundance (módulo para as placas Ethernet Encore ENL832-TX-ICNT), mas essa falta também senti na instalação do Mandriva 2007. Portanto, nada demais: bastou obter os drivers via Net e compilar.
Após a instalação, o sistema reiniciou e testei, como costumo, o GRUB para ver se o dual-boot estava correto com o Windows XP da máquina. Estando OK, reiniciei e passei ao pós-instalação padrão do Debian Sarge. Tranqüilamente, fui confirmando as janelas baseadas em curses e acabei em um X com um login GDM.
Aqui começaram os “problemas”. Se o pós-instalação padrão foi tranqüilo, a customização foi onde começou a complicar.
O primeiro problema foi no ajuste da resolução do X. Nada demais: bastou passar para o initlevel 3, editar o arquivo /etc/X11/XF86Config-4 e corrigir as resoluções na seção Screen. Bastou voltar para o initlevel 5 e “derrubar” o X com Ctrl+Alt+Backspace e minha resolução foi para a correta.
Ao me logar, recebi um GNOME de uma versão antiga mas tranqüila. Aqui começaram as instalações (e problemas). A primeira instalação foi de 3 aplicações: BrOffice.org, Firefox e Thunderbird. Todos em suas versões mais atuais e copiadas dos sites oficiais. O BrOffice.org (2.1) foi copiado em formato .deb e instalado usando o dpkg (dpkg -i). Já o Firefox (2.0.0.1) e o Thunderbird (1.5.0.9) foram copiados em binários estáticos do site do Mozilla e instalado no diretório /opt.
Em seguida, recuperei um backup do meu antigo home do Fedora (utilizo todas as partições dentro da raiz em partição única). Antes, matei algumas pastas, como as pastas de configuração do KDE, do GNOME e do Firefox, de modo a manter informações importantes que tinha em outros programas (vi, EMACS e Thunderbird). Uma vez corrigido esse fator, o meu home estava quase todo OK, apenas exigindo alguma customização específica.
Porém, ainda faltava a conexão de Internet. E aqui percebi os defeitos da minha configuração na instalação: quando mandei a distro reconhecer apenas o DVD 1, acabei “perdendo” uma série de pacotes importantes, como o build-essential e o linux-kernel-headers correto para o kernel escolhido (2.6.8-2-k7). Até aí nada demais: coloquer o segundo DVD e usei apt-cdrom para rodar no segundo DVD e os pacotes foram reconhecidos e compilei o driver sundance, conforme as instruções do site Debian For Dummies.
Depois de compilado o driver, instalei o pacote pppoe para a configuração do Speedy ADSL. Como padrão no Debian, recebi uma janela curses onde fiz toda a configuração do sistema. Levantada a interface e a conexão ADSL, fiz alguns testes com ping e com o Epiphany (navegado do GNOME) e fiz testes por reinicialização e foi tudo OK.
Outra questão que começou a “pegar” foram os updates de segurança via apt. Achei um arquivo source.list do Debian no VivaOLinux.com, mas acabei causando várias confusões com os pacotes Marillat (para DVD e pacotes de áudio e vídeo non-free) e para o tipo de versão a deixar. Acabei decidido a manter apenas os sources da versão stable. Aos poucos, fui pesquisando minhas necessidades no Google e fui achando respostas, adicionando linhas e mais linhas no meu sources.list. Ainda estou adicionando alguns repositórios apt no meu source.list, mas pretendo depois “limpar” o source.list de “sujeira” do arquivo.
A pior parte envolveu o Thunderbird: como uso um sistema dual-boot, apesar de quase nunca usar Windows XP, mantenho um esquema de “compartilhamento” de arquivos do Local Folder do Thunderbird, assim como dos “chaveiros” GnuPG (usados no Enigmail). Toda vez que abri o Thunderbird acabava “travando-o”.
O problema aqui é o fato de que as configuração padrão no particionador Debian 9que também configura o /etc/fstab) implicam apenas em ativar as opções sync (sincronização das atividades I/O) e quiet (que não emite informações de erro para atividades na partição VFAT). Faltava ainda várias configurações. Para corrigir, adicionei algumas opções adicionais (uid=0, gid=0, umask=0000, user) para liberar escrita nas partições. Tudo isso acabou resultando na correção desses problemas.
Ainda falta algumas coisas, como instalação de Java, dvdcss (para descriptografia de DVD para assistir os DVDs que eu legalmente comprei) e alguns outros pequenos ajustes, mas creio que o pior do pós-instalação e da customização já está OK. Não dá para considerar que o Debian seja difícil de instalar, mas sim que ele demande cautela.

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Se vai copiar…

Publicado por Fábio Emilio Costa em 15 15UTC Fevereiro 15UTC 2007

Um programa de TV muito conhecido entre os jovens trás como lema: “Por que se vai copiar, copia direito, p%#$a!!!”. Parece que isso também tá começando a se aplicar à Microsoft.
Se você não sumiu do mapa nos últimos tempos ou não faz partes dos Outros ou do Projeto DHARMA, sabe que a MS vem batalhando para colocar seu formato de arquivo “aberto”, o Open Office XML (OOXML), como um formato padronizado pela ISO, da mesma forma que seu concorrente direto, o Open Document Format (ODF), adotado, entre outros, por KOffice, OpenOffice.org/BrOffice.orgStarOffice e TextMaker, além de adotado por sites como o Google Docs e o Fanfiction.net. Já teci uma série de comentários sobre esse assunto aqui mesmo nesse blog, mostrando porque acredito que a Microsoft deveria ser impedida de colocar seu formato OOXML, ao menos como está, como um padrão ISO. Quando 20 países questionam o seu formato, principalmente por motivos técnicos, existe algo realmente errado.
Indignada com isso, a Microsoft atacou sua antiga parceira e atual desafeta na área de tecnologia, a IBM, acusando-a de “bloquear os esforços para a padronização de um formato de documentos Office”, segundo a reportagem da CNet.com.
OK… Devagar com o andor que o santo é de barro. Vejamos o que a Microsoft tem para nos dizer, antes de comentarmos alguma coisa…
A Microsoft divulgou ontem (14/2/2007), um documento chamado “Interoperability, Choice and Open XML“, onde ela tenta explicar os bons motivos pelos quais ela levou seu formato a ECMA e de lá colocou-o no “fast-track” para padronização ISO. Logo de começo, a Microsoft tenta desqualificar quaisquer iniciativas de questionar os seus “padrões” e suas ações para os levar à padronização ISO (atenção, todas as traduções e grifos são do autor):

Interoperability, Choice and Open XML

Existe muito hype – e um jogo de cena para ofuscar a realidade – que cerca a questão da interoperabilidade atualmente. A melhor forma de atravessar tudo isso é focando-se no que está realmente acontecendo, o que realmente está sendo feito, ao invés de envolver-se em retórica.

Ou seja, se você conseguiu ler nas entrelinhas, deve ter percebido que a Microsoft é utilizar isso desenvolvendo uma ligação falaciosa entre os questionamentos que foram feitos não apenas pela IBM, mas sim por mais de 20 países ao redor do mundo, através de suas organizações de padronização, tentando demonstrar que os efeitos desses questionamentos são de mera retórica. Ele apela a preconceitos, adotando o conceito de retórica para isolar os fatos. E isso é apenas o começo.
Pouco abaixo, depois de uma tentativa de contextualizar os formatos Office e os produtos da linha Office da Microsoft como apoiadores de padrões, a MS coloca o contexto da “padronização” do OOXML junto à ECMA:

Interoperability, Choice and Open XML

Em resposta a esses apelos [de consumidores da Microsoft], a Microsoft e outras empresas pediram a padronização do Open XML. Nós submetemos-o à ECMA International, um órgão de padronização com grande reputação a mais de 46 anos. A ECMA formou um comitê técnico que representou diversos interesses, incluindo empresas de TI (Apple, Intel, Novell, Microsoft, NextPage, Toshiba), instituições governamentais com responsabilidade por arquivamento de documentos (the British Library, the U.S. Library of Congress)  e “power users” com necessidades sofisticadas em TI (BP, Statoil, Barclays Capital, Essilor). O comitê técnico trabalhou intensivamente durante um ano e por fim produziu uma especificação que alcançou seus objetivos definidos. A especificação original enviada ao comitê cresce de 2000 para 6000 páginas como resultado da exigência de que todos os aspectos do formato fossem completamente detalhados. A especificação permite a implementação do padrão em diversos sistemas operacionais e em ambientes heterogêneos e oferece compatibilidade retroativa com bilhões de documentos já produzidos.
Aqui, o que pode-se entender é que a Microsoft quer dizer basicamente o seguinte: nosso formato sempre foi mais usado, portanto merece ser padronizado. A idéia é simples: todo mundo usa DOC, portanto ele é melhor. Um Apelo ao Poder, uma falácia lógica simples de ser identificada. Ao mesmo tempo, a Microsoft joga nas costas do comitê da ECMA a responsabilidade por uma das “contradições” levantadas durante o processo de “fast-track” do OOXML na ISO, que era justamente seu tamanho quase monstruoso (seriam necessárias a leitura de mais de 200 páginas de documentos técnicos por dia para ler-se todas as 6000 páginas em 30 dias, o tempo de “contradição”), ao afirmar que isso foi resultado “da exigência de que todos os aspectos do formato fossem completamente detalhados“. Ao mesmo tempo, tenta desonerar-se de responsabilidade quanto à implementação, ao afirmar que o OOXML “permite a implementação do padrão em diversos sistemas operacionais e em ambientes heterogêneos“, sendo que uma das contradições detectadas foi o fato de existirem várias “pequenas iscas” no formato, pequenos problemas que, acumulados, poderiam inviabilizar o OOXML em outras plataformas, como o fato de o formato de cores utilizados no filtro SVG não seguir padrões da W3C, ou o fato de a formatação de tamanho de folha seguir uma codificação internamente relacionada ao sistema de Registro do Windows.
Continuando a leitura, vemos que a MS começa o ataque contra a desafeta IBM na seguinte instância:

Interoperability, Choice and Open XML

No dia 7 de Dezembro [de 2006], a ECMA aprovou a adoção do Open XML como um padrão aberto internacional. A votação foi quase unânima: de todos os 21 membros, apenas a IBM deu voto contrário. A IBM novamente foi voto perdido quando a ECMA também concordou em submeter o Open XML como um padrão para ratificação pela ISO/IEC JTC1. Alguns governos encorajaram a ECMA a procurar esse reconhecimento para permitir escolhas entre os padrões ISO/IEC JTC1, incluindo aí o Open Document Format (ODF).

OK. Aqui podemos perceber o que a MS quiz dizer, apelando à piedade do leitor: a IBM está tentando nos sabotar. Ela apóia o ODF e não quer que tenhamos um segundo padrão ISO! Primeiro de tudo: a MS não deveria querer que a IBM concordasse com isso. A IBM também é uma empresa, e uma concorrente da Microsoft. Se a própria Microsoft já acabou “detonando” iniciativas da IBM anteriores, ela não deveria ser naïf o bastante para querer que a IBM viesse com flores. Em segundo lugar, não há problemas com múltiplos padrões internacionais, desde que (1) eles sejam compatíveis entre si e/ou (2) possam ser rapidamente migráveis e interoperáveis. Quando você amarra aspectos de um padrão “aberto” a sua determinada implementação, incluindo aí artefatos de implementação (ou seja, formas de implementar específicas) em certos pontos, você não está auxiliando em nada a implementação. Não adianta muito a Microsoft afirmar que a sua OOXML está segundo uma “Open Specification Promise” (Promessa para Especificações Abertas) sendo que esses artefatos podem não estar na mesma iniciativa e podem até mesmo estar patenteados, o que tornaria inviável e ilegal sua implementação fora do ambiente MS. Poderia ser inocente e afirmar aqui que a MS está sendo vítima de suas próprias atitudes (e espero estar certo aqui), mas também pode ser o caso de haver, como muitos afirmam, uma armadilha da MS para obter um “padrão de um sistema só”.
Bem, vamos continuar. Em seguida, a carta aberta pela MS levanta questionamentos sobre o ODF:

Interoperability, Choice and Open XML

É importante reconhecer que o ODF e o Open XML foram criados com objetivos de projeto muito diferenciados e que eles são apenas dois dos muitos formatos padrões para documentos em uso atualmente, cada um deles com características que são atrativas a diferentes usuários em diferentes cenários.

Reconheçamos que aqui a MS marca um ponto: é realmente verdade que não existem apenas o OOXML e o ODF como formatos para trocas de documentos. Além disso, vários desses formatos (podemos aqui colocar HTML, XML puro, PDF, DocBook, LaTeX e outros muitos) são atrativos em determinados tipos de aplicações. Aqui não temos nenhuma novidade. O problema é o que se segue:

Interoperability, Choice and Open XML

O ODF está fortemente associado ao OpenOffice  e a produtos relacionados [NT: Aqui é uma referência ao StarOffice da Sun Microsystems, que utiliza o codebase do OpenOffice como base parea seu desenvolvimento] e reflete as funcionalidades desses produtos (…) O Open XML, por outro lado, reflete o grande conjunto de funcionalidades no Office 2007 [da Microsoft], oferece uma plataforma para cenários de produtividade para o usuário muito inovadores, por meio de schemas [formatos de documentos] desenvolvidos pelo usuário e foi desenvolvido tendo como objetivo a compatibilidade retroativa com bilhões de documentos.

Aqui existe um outro ataque falacioso, novamente na forma de um apelo ao preconceito, associado a um apelo à inocência.
Qual a questão aqui? O autor do documento ignora sumariamente que um dos objetivos do ODF foi o de prever funcionalidades comuns entre todos os aplicativos de produtividade Office (como transições em uma apresentação ou formatações em um texto) e designar formas padronizadas de especificá-las, sem entrar no mérito da implementação. Por exemplo: o jeito que o OpenOffice.org implementa, por exemplo, a formatação de um parágrafo não precisa ser necessariamente a mesma que é implementada pelo KOffice ou pelo Google Docs, desde que eles reconheçam as formatações do parágrafo conforme indicadas no ODF. A idéia é: o ODF fala o que fazer. Como isso será feito é questão de cada implementação. No caso do OOXML, o objetivo é determinar como as coisas serão feitas e não porque elas devem ser feitas.
Continuando na leitura do documento, a MS alega que são formas diferentes de alcançar diferentes necessidades, e isso é inquestionável, conforme já disse. ODF e OOXML são inegavelmente diferentes e voltados para objetivos distintos.
Em seguida, a MS tenta mostrar-se desfavorecida, em um apelo à piedade:

Interoperability, Choice and Open XML

Quando o ODF estava sob análise [da ISO/IEC JTC1], a Microsoft não interferiu no processo, tentando freá-lo, pois entendemos o interesse dos consumidores na padronização dos formatos de documento. De forma muito diferente, durante o período inicial da análise do Open XML pela ISO/IEC JTC1, a IBM liderou uma campanha global clamando aos órgãos nacionais [de padronização] que obrigassem a ISO/IEC JTC1 a sequer considerar o OpenXML, uma vez que o ODF passou primeiro pela ISO/IEC JTC1 first – em outras palavras, que o Open XML sequer fosse considerado por seus méritos técnicos porque um padrão concorrente já havia sido adotado

Na realidade, já foi dito aqui mesmo nesse post que não existe nada intrinsicamente errado por parte da MS em colocar seu OOXML como padrão. Ela precisa sobreviver como empresa e lhe é interessante isso, e com certeza seria interessante a muitas pessoas. O maior problema é que a forma como isso foi apresentado é simplesmente errada! Com uma série de pequenas “minas terrestres” implantadas no padrão, não há como afirmar o que poderia acontecer se o padrão passasse pelo fast-track “ileso”. Qualquer um que tenha lido uma documentação técnica sabe o quão complexo é o processo: fazer uma leitura de documentação técnica de 6000 páginas em apenas um mês é uma tarefa hercúlea. Acho que a MS poderia ter sido um pouco mais complacente e solicitado mais tempo para uma melhor investigação. Se seu interesse é realmente o consumidor (e espero realmente que seja, para bem deles) esse tempo extra permitiria uma melhor investigação e sugestão de mudanças ao formato.
Agora vem o centro da questão, que é o momento onde a Microsoft “solta os cachorros” contra a IBM:

Interoperability, Choice and Open XML

Essa campanha para parar totalmente a análise do Open XML na ISO/IEC JTC1 é uma tentativa crassa de usar o processo de padronização para limitar a escolha do mercado por motivos comerciais dissimulados – sem considerar os impactos negativos às escolhas do consumidor e a inovação tecnológica. Não é coincidência que o Lotus Notes da IBM, que ela vem promovendo no mercado, falha ao suportaro padrão Open XML. Se bem sucedida, a campanha para bloquear a análise do Open XML poderá criar uma dinâmica na qual a primeira tecnologia que chegar aos órgãos de padronização, independentemente dos méritos técnicos, irá forçar com que os demais sejam sequer analisados. O esforço da IBM em forçar o ODF aos usuários por meio de “procurações” é uma iniciativa para restringir a escolha. Nos formatos de arquivo baseados em XML, que podem ser facilmente interoperados por meio de tradutores e serem implementados lado a lado em softwares de produtividade, essa exclusividade não faz o menor sentido, exceto para aqueles que não possuem confiança em sua habilidade para concorrer no mercado com os méritos técnicos dos padrões alternativos. Essa campanha para limitar a escolha e forçar seu padrão individual aos consumidores precisa ser enfrentada.

Um ótimo discurso por parte da Microsoft. Ela poderia ter pensado nisso quando não ofereceu suporte ao ODF no MS Office 2007, demandando que um filtro fosse construído a posteriori e por um terceiro. Ela também poderia ter pensado nisso ao colocar tantas armadilhas no processo que, para azar dela, acabaram se transformando em uma espécie de “fogo amigo” contra si própria, uma espécie de “corredor polonês” de armadilhas que impediram uma trilha rápida (sim, a piada com fast-track foi intencional. :-P ). Ela adotou uma série de caracteristicas nesse processo descrito na carta que demonstram que não houve por parte da mesma o interesse em oferecer um debate sobre (1) a necessidade de um novo padrão e (2) melhorias nesse padrão que poderiam inclusive ajudar a MS.
Existem ainda muita coisa envolvida, que o leitor poderá procurar entender. Andy Updegrove, consultor norte-americano especializado em padrões, colocou em seu blog uma série de informações que podem ser úteis para a leitura desses eventos com mais calma. Na Groklaw, você pode ler mais sobre os questionamentos levantados contra o OOXML como foi enviado à ISO. A Microsoft também não é muito feliz nisso, pois uma outra proposta de fast-track, envolvendo o C++/CLI (C++/Common Language Infrastructure) conhecido pelo mome comercial de C++.Net, acabou não passando pela ISO, pois recebeu uma série grande de contradições, inclusive do criador da linguagem C++, Bjarne Stroustrup.
O autor desse blog não é pura e simplesmente contra o OOXML. Como disse, concordo com alguns pontos apresentado nessa carta da MS, mas acho que ele, na verdade, é um grande FUD desenvolvido pela Microsoft para tentar fazer-se de vítima. É importante que você, leitor, saiba o que está acontecendo, o porquê das “contradições” contra o OOXML, antes de dizer que é contra o OOXML.
Eu continuo apoiando ODF, pois é um formato elegante (700 páginas), simples e livremente disponível, que está cada vez mais recebendo apoio e ferramentas para desenvolvimento. Além disso, ele é totalmente patent-free, sem armadilhas para amarrar você à Sun, IBM ou qualquer outra empresa. Compare tudo o que você irá descobrir sobre o OOXML (a Wikipédia é um ótimo ponto de partida) e você irá “chegar aos fatos” (sim, a piada com get the facts foi intencional).
Acima de tudo, enfrente o OOXML enquanto ele se oferecer lotado de armadilhas que poderão prejudicar a todos, inclusive a você.

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Questionamentos sobre a Pirataria

Publicado por Fábio Emilio Costa em 14 14UTC Fevereiro 14UTC 2007

Os usuários do Linux são, e sempre serão, alguns dos maiores combatentes contra a pirataria, mas isso nunca irá querer dizer que a comunidade se entregue ou aceite os termos do software proprietário. Portanto, quando notícias como as publicadas pelo Professor Pedro Rezende no Observatório de Imprensa ou a do articulista Sebastião Martins no mesmo site, aparecem em sites como o BrLinux.org, os detratores começam a atacar os linuxers e defensores de uma cultura mais livre como comunistas que não defendem “a propriedade alheia”.
Primeiro de tudo, sou totalmente contra a pirataria de software ou de “produtos culturais”. Porém, sempre devemos nos questionar sobre essas coisas: sobre quem ganha e quem perde com a pirataria, e se há justiça nas atitudes que alguns impõem quanto a isso.
Primeiro, vamos analisar o artigo de Pedro Rezende, professor-ativista da UnB e considerado por muitos um dos principais ativistas de Software Livre no Brasil. O artigo em questão fala sobre o professor Alexander Posonov, diretor de uma escola primária russa que “está sendo processado pela Promotoria Geral da Rússia, num tribunal regional de Vereshchaginsky, sob acusação de ter posto em uso, sem as devidas licenças, softwares de propriedade imaterial da dita empresa em computadores da escola que ele administra em Sepych [um pequeno vilarejo da Rússia]. A pena pode chegar a 5 anos de prisão, mais multa superior a 10 mil dólares (valor das ditas licenças). A primeira audiência do ‘caso Ponosov’ foi em 29 de janeiro, e a seguinte marcada para segunda-feira (12/2).“, segundo o artigo de Pedro Rezende.
Agora, será que ele merece? Porque, até onde se sabe, ele não se parece com o que temos de idéia de um pirata de computador: “A julgar pela biografia resumida e fotos em jornais russos, Ponosov parece mais interessado em aulas informatizadas do que em camelódromos.
Porém, como em muitos casos da nossa mídia, o que temos é apenas uma versão dos fatos, a versão que interessa aos grandes monopólios da mídia e do software. Será difícil “obter os fatos”? (PS: aqui estou propositalmente tripudiando das campanhas das grandes corporações para sufocar os questionamentos ao Direito Autoral como se impõe atualmente). Segundo Pedro Rezende, é um pouco, mas vale a pena:

Pirataria ou… que crime é esse?

Para que o professor russo não tenha que morrer com fama de bandido, e o ex-primeiro ministro com pecha de piegas perante quem tende a ver o mundo entre plim-plins, traduzo um pouco do que outras mídias noticiaram em inglês. Mesmo que essas tenham se dado ao trabalho de traduzir do russo, como nos parece, só para pintar de ruço a situação na Rússia há ali lições de sobra, como poderá verificar o leitor, para o contexto tupiniquim.

Segundo o que Rezende cita em seu artigo, “em entrevista à CBS Ponosov alega, dentre outras coisas, que quando precisou comprar 16 computadores para sua escola em 2005, ‘não sendo então muito versado em computador, procurei amigos que conheciam mais do que eu e eles me disseram que computadores são hoje vendidos com software pré-instalado. E então compramos os computadores’.
Até aqui, temos uma atitude louvável do nosso amigo diretor. Investimentos na área de informática são como a compra de um carro: sem o devido conhecimento, podem acabar provocando mais dores de cabeça do que ganhos. Nesse caso, nada melhor do que recorrer a pessoas que conheçam mais do que você no assunto, para melhor se aconselhar e com isso melhor aproveitar o seu investimento. O problema, porém, foi o que aocnteceu em seguida:

Pirataria ou… que crime é esse?

Ocorre que os 16 computadores foram entregues à escola, em agosto daquele ano, com softwares pré-instalados sem as devidas licenças ou com licenças inválidas (números clonados), fato omitido pelo fornecedor escolhido. (…) Se Ponosov sabia ou não que as licenças eram inválidas, é uma pergunta que pode parecer importante ao leigo e ao júri. Em legalês, isso se traduz em suposto crime prever ou não tipificação culposa, em quem recai o ônus da prova de intenção, de negligência ou de suas negações. (Grifo meu)

Perceba que aqui existe um terceiro, o fornecedor, que não informou que as cópias do Windows instaladas não eram legalizadas. Se você compra um produto vencido ou falsificado em uma loja, de quem é a responsabilidade? Sua ou da loja? O mesmo aplica-se aqui.
Se é assim, existe um outro questionamento levantado por Pedro Rezende:

Pirataria ou… que crime é esse?

Se há indícios de que o revendedor teria agido de má fé, por que a Promotoria está já processando o comprador? À CBS, o mesmo [Posonov] responde:
“Trata-se de uma mentalidade russa clássica. Eles não perseguem os oligarcas porque oligarcas têm dinheiro e podem revidar. Eles vão atrás de gente indefesa e pobre, como nós”.

Aqui estão os fatos: eles (as grandes corporações) preferem bater em quem pode menos, nas pessoas que não são capazes de pagar rios de dinheiro para se defender. Além disso, isso garante uma política de medo que oferece e garante os grandes lucros dessas empresas. Essa cultura impede a solidariedade inerente no software livre e em similares.
Mas o interessante é perceber que normalmente esses grupos negligenciam a pirataria enquanto lhes é conveniente, atacando quando o modelo de “deixar acontecer” para de ser interessante. Prefiro não falar nada, e deixar que o próprio Professor Pedro Rezende resuma tudo:

Pirataria ou… que crime é esse?

Enquanto os mercados de software e de TI se expandiam a altas taxas eles negligenciavam a “pirataria digital”. Era um bom negócio para o modelo proprietário, motor da revolução do downsizing e da popularização do PC. Nesse modelo de negócios, uma cópia é antes tratada como bem rival do que como conhecimento condensado em código, ao contrário da sua alternativa livre (FOSS). É que cópias com licenças inválidas aumentam o valor de uso do “produto”, na medida em que produzem para ele treinamento a custo zero, fidelização à marca e padronização de fato. Aculturam, pelo “efeito rede”, a monopólios de software de uso geral.
Porém, na medida em que o mercado satura, ao contrário do FOSS o modelo proprietário perde eficiência. O FOSS acumula código reutilizável enquanto o proprietário precisa avançar sua renda sobre o que antes tratava com leniência – usuários de cópias “ilegais” (com licenças inválidas). Quanto mais saturado, mais assemelhado ao mercado negro de entorpecentes fica o do modelo proprietário, como reconheceu o próprio destinatário da carta de Gorbachev, num debate na Universidade de Washington em 1998. (Grifos meus)
Perceba que aqui é ressaltado que, em certo período, o uso das “cópias piratas” é ignorado pelas empresas, que preferem usar isso como uma forma de “passar por cima” das concorrentes. Algumas poucas empresas não podem ser acusadas disso, como a Autodesk, que desde o princípio adota proteções anti-cópia em seu sistema AutoCAD. No caso de outras, como a Microsoft, foi adotado o mecanismo descrito de maneira sucinta acima pelo Professor Rezende. Perceba que o tamanho da hipocrisia vem logo em seguida.

Pirataria ou… que crime é esse?

Na primeira audiência do “caso Ponosov”, o fornecedor regional da Microsoft, Alexei Potapov, foi ouvido pelo juiz e apoiou a solicitação do procurador, de que o mestre da escola rural fosse processado e punido.

Ou seja, no fim das contas, a culpa é do usuário, que é a ponta mais fraca nessa história. Porque não culpar o fornecedor dos computadores, por ter agido de má fé nessa história? Por que o mesmo poderá parar de utilizar o software proprietário em seus computadores, trocando-o por softwares livres ou por proprietários concorrentes, o que tornaria-o um fornecedor a menos do software proprietário em questão.
Mas agora, o fato é: isso é justo? Vejamos o que nos diz Rezende:

Pirataria ou… que crime é esse?

Mas nem todos racionalizam, nem todos se submetem. Dentre os programadores mais independentes, conscientes e renitentes, dentre os que prezam suas liberdades alguns já partiram, desde há muito tempo, em busca de alternativa. Pela qual possam acumular e evoluir códigos desenvolvidos colaborativamente, códigos interoperáveis, de uso livre e reuso regulado por licenças de uso, acesso e distribuição da matriz de produção e transformação de softwares (código-fonte). Licenças que garantam direitos sem ônus a quem queira compartilhar software, em qualquer forma que preserve a liberdade que o trouxe. Assim surgiu o software livre (FOSS), assim nasceu a internet (TCP/IP).

Ou seja, perceba que o software proprietário não é a única opção: o FLOSS (Free/Libre/OpenSource Software) ofecere uma opção muito interesante, principalmente para o desenvolvimento de tecnologias, principalmente quando você entende o valor embutido nesses códigos:

More than a Gigabuck: Estimating GNU/Linux’s Size

O Red Hat Linux 7.1 inclui cerca de 30 milhões de linhas de código fonte (source lines of code - SLOC)(…). Se usarmos o modelo de custos COCOMO [uma métrica de custos de desenvolvimento de software, muito adotada no mercado], veremos que seriam necessários mais de 8,000 anos-pessoa de tempo de desenvolvimento para desenvolver-se a versão em questão (…). Se essa distribuição GNU/Linux distribution fosse desenvolvida por meios proprietários, custaria mais de 1,08 bilhão de dólares para desenvolver esse software nos Estados Unidos (…) (tradução e grifos meus)

Esse software não foi desenvolvido por apenas uma pessoa, por apenas uma empresa, e nem de maneira altruística. O princípio é simples: “achou legal, mas acha que falta algo? Desenvolva e ofereça como retorno.” Não há uma “cobrança” no sentido financeiro, mas existe uma “moralidade”, no sentido de que se você gostou, é legal que você ajude o outro. Não precisa ser apenas em código ou dinheiro: pode ser em documentação, tutorial, suporte, divulgação… Como diz Rezende: “os que não se acovardam perante o caminho trilhado em terrorismo simbólico pelo modelo proprietário, os que escolhem, com tal entendimento e coragem, tocar seu negócios, criar seus programas e botar suas licenças com seus próprios valores, esses passam a representar alto risco para o status quo.” São os “comunistas”, os “terroristas”, os “cupins da propriedade intelectual”.
Esse é o questionamento… Isso é moral? Sobre isso falaremos agora, enquanto analisamos o artigo de Sebastião Martins, “Sobre piratarias e piratarias”. Esse é um artigo muito interessante, na medida em que ele é mais “energético”, mais “ativista”, digamos assim, e, em meio ao seu discurso que pode ser dado como inflamado por alguns mostra alguas questões interessantes. A primeira é que ele vem com uma análise bastante interessante sobre como a pirataria é apresentada:

Sobre piratarias e piratarias

As campanhas publicitárias que temos visto, pelo menos aqui no Brasil, tentam mostrar que todos os tipos de pirataria são iguais – da falsificação de remédios e produtos diversos, às cópias de CDs, DVDs e softwares. (…), mas à luz (…) do bom-senso, tratamos de coisas bem diversas. Remédio falso, fajuto, adulterado, é uma coisa; é falsificação e pode até matar um consumidor que foi completamente enganado. DVD ou programa pirata é outra. Ilegal e condenável, sem dúvida, mas compreensível.

O que temos aqui, você pode se perguntar. É a mesma questão que Lawrence Lessig cita em seu livro “Cultura Livre”, traduzido por mim (em uma edição pouco conhecida) e oferecido em uma tradução (com certeza) melhor e “oficial” (subentenda-se aqui vendida no comércio) pela Trama Universitário, sendo que recomendo essa: a minha foi uma edição feita apenas com objetivo de divulgação, portanto a tradução não está tão boa quanto poderia e, embora demande cadastro, vale a pena. Na verdade, Lessig cita o seguinte cartoon de Paul Conrad:

A questão aqui, você pode se perguntar, é irrelevante, mas a verdade é que é muito relevante: quem, exatamente, a lei de Direitos Autorais protege? As pessoas? Não! O que está acontecendo é que as leis estão tornando as pessoas criminosas sem ao menos elas se darem conta. Atitudes que antes eram comuns e convencionais, e consideradas até mesmo socialmente corretas, estão tornando as pessoas criminosas.
Talvez por isso elas esteja dando cada vez menos valor para a legislação, ao menos a de direito autoral, na medida em que elas não são as pessoas protegidas por ela, e nem os artistas, mas sim as gravadoras:

Sobre piratarias e piratarias

Não foi à toa que o povo começou a chamar esses produtos piratas de “genéricos”. A analogia é simples: assim como na quebra do monopólio dos remédios surgiram os genéricos com preço mais acessível, o mesmo se espera em relação a produtos que continuam a manter monopólios e preços absurdos. É um imperativo de justiça que os protetores da propriedade industrial tentam transformar em caso de polícia.

Ou seja, para evitarem as perdas de receita, os monopólios da propriedade intelectual recorrem a todos os meios, inclusive a manipulação e associação falaciosa da cópia ilegal a procedimentos que podem até mesmo matar.
Não vou tentar aqui dar uma opinião final. Não é e nem foi meu objetivo nesse artigo. Meu objetivo é levantar questionamentos e tentar oferecer minha opinião, que é a de que a pirataria atualmente é ilegal, mas os preços cobrados são imorais. Portanto, a única solução é equacionar tudo até obtermos os melhores termos em equilíbrio de legalidade e moralidade.

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Ajudando a Wikipedia

Publicado por Fábio Emilio Costa em 13 13UTC Fevereiro 13UTC 2007

Ajude a manter a Wikipédia no ar – mesmo sem colocar a mão no bolso!

O BR-Linux.org lançou uma campanha para ajudar a Wikimedia Foundation a manter a Wikipédia no ar. Se você puder doar diretamente, é sempre a melhor opção. Mas se não puder, veja as regras da promoção do BR-Linux e ajude a divulgar – quanto mais divulgação, maior será a doação do BR-Linux, e você ainda concorre a um pen drive!Nota minha: gente, a Wikipedia é o Guia do Mochileiro das Galáxias Vivo. É talvez a maior e melhor enciclopédia do mundo e uma das que demonstraram o poder da colaboração na Net. Não podemos deixar essa iniciativa morrer!!

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Porque é importante lutar contra o formato OOXML

Publicado por Fábio Emilio Costa em 8 08UTC Fevereiro 08UTC 2007

Como usuário de OpenOffice.org/BrOffice.org e coordenador do Grupo de Usuários do BrOffice.org em São Paulo (GuBRo/SP), sei das várias vantagens do BrOffice.org, sendo que uma das principais é o fato de que o OpenOffice.org/BrOffice.org é o fato de ele suportar o Open Document Format (ODF), um formato de documentos livre que tem como objetivo acabar com o “Pesadelo do Update”, onde sempre que atualizamos a versão de nosso pacote Office, não temos compatibilidade reversa com versões antigas do mesmo pacote. Além disso, pelo Open Document Format ser padronizado agora pela ISO (padrão ISO26300:2006) e ter suas especificações disponibilizadas pela OASIS, mantenedora do padrão, temos a garantia de que o formato dificilmente irá simplesmente “sumir”, suprimido pelos concorrentes com maior força. Além disso, outra vantagem é o fato do formato ser baseado em XML permite que use-se parsers XML padronizados para facilitar o desenvolvimento de aplicações compatíveis, sem falar do uso de tecnologias baseadas em XML, como XPath ou XSLT para conversões e pesquisa em conteúdo ODF.
Claro que uma iniciativa desse porte não poderia passar incólume, e realmente isso não aconteceu: a Microsoft liberou recentemente sua especificação Microsoft Open Office XML (MSOOXML), desenvolvida para o recém-lançado Microsoft Office 2007. Esse formato difere dos formatos tradicionais da Microsoft na medida em que eles deixaram de ser formatos binários para partir para uma estratégia similar à do ODF: pacotes compactados contendo arquivos XML com o conteúdo dos documentos, anexos e metadados. Para poder colocar mais força nesse padrão, a Microsoft conseguiu uma aprovação recorde do OOXML na ECMA, desse modo conseguindo aprovar seu formato como padrão ECMA-376. Após isso, a Microsoft vem tentando colocar o formato OOXML na fast-track da ISO, ou seja, realizar uma aprovação rápida baseada no padrão já colocado pela ECMA. Se não houvesse questionamentos, o padrão OOXML seria definido como um formato ISO.
Mas houve o questionamento, e pelos mais diversos motivos:

Tudo isso leva-nos a entender porque precisamos impedir a aprovação do OOXML como ele está: ele é um formato pesado e desnecessário. ODF é mais elegante e simples, além de seguir XML em quase tudo (existe apenas uma crítica com o fato de o ODF utilizar em Fórmulas uma formatação similar à do TeX, mas como TeX é um formato de domínio público, não houve impedimentos à adoção do ODF como padrão ISO).

Existem armadilhas sérias no “padrão” OOXML, como as questões relacionadas a codificações de data e de tamanho de página, o uso de códigos de página diferenciados conforme o país e sua identificação por seqüências binárias, ao invés do uso da codificação de letras da ISO, uso de Namespaces XML diversos e específicos da Microsoft, entre outras milhares de coisas.

Por isso, defenda o formato ODF contra o OOXML. Pressione as autoridades de padronização. Existem muitas formas de fazer isso. O Portal Software Livre Brasil divulgou métodos de ação, que inclusive envolve enviar email para a ISO questionando o fast-track do OOXML.

Lembre-se: ODF é apoiado por grandes companhias como Corel, IBM, Sun e outras. ODF está sendo adotada em larga escala, é livre, royalty-free e totalmente independente de plataforma. É verbosa, o que a torna facilmente explorável por seres humanos e facilita a construção de parsers e extratores de dados dos documentos ODF.

Adote BrOffice.org! Adote ODF! Seja Livre!
Esse é o objetivo!

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O que define Liberdade de Software em Software Livre?

Publicado por Fábio Emilio Costa em 6 06UTC Fevereiro 06UTC 2007

Uma das coisas mais polêmicas na GPL e no software Livre em geral é a questão da “liberdade”. Free as in Speech, not as in beer (Livre como em Liberdade de Expressão, e não como em cerveja liberada) pode ser considerado o grande mote do Software Livre, sendo um dos fundamentos, inclusive citado o tempo todo por Richard Stallman, o fundador, o hacker, o ativista, o guru de programação. E esse preceito não deixa de ser um belo mote, pois lembra o antigo mote da Revolução Francesa: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.
Porém, recente notícia da Reuters que afirma que a FSF poderia estar tomando atitudes para impedir a Novell de vender sua distribuição (termo “equivalente” a variante ou empacotamento) do sistema operacional Linux pode ser um estopim negativo para a FSF, uma vez que isso meio que derruba por terra o mote do SL.
Por que a FSF estaria fazendo isso é uma pergunta com resposta óbvia: seria uma “vingança” pela suposta “traição” da Novell, ao esta ter entrado em um acordo de interoperabilidade com ninguém menos que a Microsoft. Depois de diversas reações negativas, como o protesto dos desenvolvedores do SaMBa e do pessoal da FSF, esse anúncio foi o primeiro anúncio de represália real contra o acordo Microvell.
OK, e qual minha opinião disso tudo? Ela é simples: se a FSF tomar essa atitude, ela estará fazendo mais mal para o Software Livre do que bem.
Antes que os trolls venham me acusar de vendido e de alienado ou de qualquer outra coisa, vamos aos fatos:
  1. A própria definição de liberdade adotada pela FSF determina que um software deve obedever a alguns critérios para ser considerado livre, a saber:

O que é o Software Livre? – O Projeto GNU e a Fundação para o Software Livre (FSF)

  • A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade no. 0)
  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade no. 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade no. 2).
  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

Como podemos ver, a Novell não está, de forma alguma (ao menos até onde sei), violando quaisquer desses direitos. Na realidade, como a própria FSF afirma em seu site, não é contra nenhuma dessas liberdades revender um pacote de software livre. Como ela afirma em seu site em um outro artigo:

Vender Software Livre – O Projeto GNU e a Fundação pelo Software Livre (FSF)

Exceto para uma situação em especial, a Licença Pública Geral da GNU (GNU GPL) não especifica o quanto pode ser cobrado para distribuir uma cópia de software livre. Você pode cobrar nada, um centavo, um dólar ou um bilhão de dólares. Depende de você e do mercado, portanto não reclame conosco se ninguém quiser pagar um bilhão de dólares por uma cópia.
A única exceção é o caso em que binários são distribuídos sem o correspondente código fonte completo. Aqueles que fazem isso são obrigados, pela GNU GPL, a fornecer o código fonte atendendo a pedidos posteriores. Sem um limite para a taxa pelo código fonte, eles poderiam determinar uma taxa tão grande a ser paga — como um bilhão de dólares — e, portanto, fingir que disponibilizam o código fonte, enquanto que, na verdade, o escondem. Então, nesse caso, devemos limitar a taxa pelo código, a fim de garantir a liberdade do usuário. Em situações comuns, entretanto, não há motivos para limitar taxas de distribuições, portanto, não as limitamos.
A verdade é que a Novell de forma nenhuma vem bloqueando acesso aos sources de quaisquer pacotes de software livre, sejam eles distribuídos ou não por ela. Desse modo, não consigo ver nenhuma ilegalidade que permitiria a tomada de ação da FSF.
  1. No lado MS, não vejo também problemas, até porque isso iria contra as ambições das gigante de Redmond. Não se deixe levar pelos comentários de Steve “Developers” Ballmer. Por mais que a MS fale isso, ela tem ferrolhos que iriam a prejudicar em uma possível tentativa de “ferrar” o software livre:
    1. Primeiro, tem o fato de que ela tem uma disputa contra o Open Document Format (ODF), que ela quer vencer a todo custo com seu Microsoft OpenOffice XML (MSOOXML). Uma das partes do acordo seria que a Novell contribuiria com a integração das soluções Linux a esse formato de arquivo. Ora, quando falamos nisso, queremos dizer Abiword, OpenOffice.org (BrOffice.org) e KOffice. Além disso, existe a questão dos movimentos da MS para tornar o OOXML um padrão ISO, como já o é o ODF. Existe uma coisa importante aqui: se a MS tornar o OOXML um padrão, ela não terá como escapar da liberdade. E mesmo que não consiga, se quiser interoperar com os softwares citado, os códigos deverão ser licenciados segundo licenças livres ou, na pior das hipóteses, abertas, o que permitiria seu estudo e a geração de códigos livres;
    2. Acredito que a GPL, combinada aos princípios do SL citados anteriormente, deixam as regras claras sobre o tipo de coisa a ser feita. São regras simples e, como toda regra simples, são fortes e fáceis de serem “reforçadas”. A idéia é que, por mais que a MS possa tentar Abraçar e Extender o OOXML, muitos recursos básicos ficariam a salvo disso, e no final das contas acabaria pouco interessante para a MS, uma vez que os recursos avançados não poderiam ser acessados, o que criaria um crescente desconforto em relação a tudo isso e quebraria a compatibilidade, o que resultaria em farpas sérias contra a MS;
    3. A questão mercadológica do FLOSS (Free/Libre/Open Sourced Software) está cada vez mais evidente, assim como suas vantagens e desvantagens. Se os pioneiros se atiravam nas migrações procurando um Santo Graal financeiro, atualmente as migrações serão cada vez mais “puritanas”, com planejamento, treinamento e afins. A MS não tem tanto a perder nisso quanto se imagina: claro que acontecerão movimentos de volta, e não é nosso foco aqui comentar isso. O importante é que a MS está percebendo que o cliente quer interoperabilidade, e que isso é importante, como disse Ian Murdock. Na realidade, a interoperabilidade é um processo sem volta no mercado da informática;
    4. A MS ainda é mal vista pelas suas práticas monopolistas. Não falo aqui apenas de processos por monopólio. A questão agora é a imagem que a MS está tendo, e que está cada vez mais arranhada. Ela tem que tomar muito cuidado com as suas atitudes, pois agora, por incrível que possa parecer, a “mão invisível”, para tomar emprestado o termo de Adam Smith, está contra ela. Ela pode “apagar incêndios” com acordos aqui e ali, mas ela ainda é mal vista, e isso pode ser um fiel na balança;

Quando falo que a FSF pode se prejudicar, digo que isso se deve ao fato de SL envolver também a possibilidade de redistribuir o mesmo (Liberdade 2). Se nenhuma violação à GPL for detectada, não há como, sem violar os próprios princípios que defende, a FSF impedir que a Novell redistribua qualquer software livre. O fato de formar um acordo com a MS não é considerado violação da GPL, e nem o uso de patentes que tenham declarado-se royalty-free. E existe uma coisa: uma patente royalty-free não pode começar a cobrar royalties retroativamente em nenhum sistema jurídico que reconheça o princípio do direito adquirido.
Não acredito que a FSF tome uma atitude como essa e que, caso ela tome, ela ganhe algo com isso. Existe uma questão aqui que é outra liberdade, a de escolha. Se a FSF partir para uma atitude como essa, estará interferindo na liberdade de escolha do usuário, o que irá provocar mais danos à FSF do que à MS ou à Novell. Pelo que se saiba, quem tem o hábito de estrangular a liberdade de escolha dos usuários é a MS. Será que a FSF deseja tanto assim pegar a mesma reputação da MS?
O assunto ainda vai dar o que falar, mas creio que vai acabar em nada. Sou um otimista por natureza, e creio que nem MS, nem Novell, nem FSF têm interesse em ver uma guerra explodir por causa desse acordo. A MS tá manchada demais para entrar nesse tipo de escaramuça, a Novell não tem poder de fogo para tanto mesmo com o Microvell e tudo o mais, e a FSF teria sua imagem e sua credibilidade arranhada. Basta ver que mesmo RMS afirma que o acordo Microvell não viola a GPL. Desse modo, duvido que haverão ações contra o acordo Microvell, ao menos a curto prazo.
Por fim, acredito que a FSF perceberá que ela criou regras claras, e que essas regras devem valer para todos. Espero sinceramente que isso se resolva da melhor maneira possível. Acredito que FSF, Novell e MS têm muito a contribuir com o SL e com a Informática como um todo, desde que compreendam que, como diria Arnaldo Césa Coelho, “A Regra é Clara!”

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DRM, Vista e seus direitos

Publicado por Fábio Emilio Costa em 1 01UTC Fevereiro 01UTC 2007

Esse artigo fala tudo o que eu penso sobre o DRM… Simples e direto. Não irei interferir no conteúdo do artigo, deixando ele falar por si. Espero que a tradução esteja boa :-) :

DRM, Vista e seus direitos

Autor: Borys Musielak

Tradução: Fábio Emilio Costa

Nos Estados Unidos, França e em alguns outros países, já é proibido reproduzir filmes ou músicas legalmente adquiridas usando tocadores de mídias no GNU/Linux. Isso parece ficção científica? Não é, e não vai se restringir apenas à multimídia. Bem vindo à nova era do DRM!
Nesse artigo eu pretendo explicar os problemas com os sistemas de Gerenciamento (ou Restrição) Digital de Direitos Autorais – Digital Rights (restrictions) Management -, principalmente da forma como estão sendo promovidos pela Microsoft no seu novo Windows Vista. Nem todos estão familiarizados com os perigos do novo “padrão” para a indústria da informática. Sim, para ela como um todo – pois ela vai além do software produzida pela gigante de Redmond e de suas afiliadas,

DRM, Trusted Computing… O que raios vem a ser isso?

Citando a Wikipedia:

“O Gerenciamneto digital de Direitos Autorais (Digital Rights Management – em geral abreviado como DRM) é um termo genérico que refere-se às diversas tecnologias usadas pelos autores ou pelos detentores de copyright para controlar o acesso e o uso de dados ou hardware digital, e às restrições associadas a determinada instâncias de conteúdo ou dispositivos digitais. O termo normalmente é confundido com proteções anti-cópia e medidas de proteção técnicas; esses dois termos referem-se a tecnologias que controlam ou restringem o uso ou acesso a conteúdo digital em aparelhos eletrônicos que contenham tais tecnologias, atuando com componentes e em estruturas de um design voltado ao DRM.”

Um termo similar (embora mais específico) ao DRM é o termo “Computação Confiável” – Trusted Computing, um termo intencionalmente traiçoeiro. Essa tecnologia não busca melhorar a segurança do usuário, mas na realidade procura garantir que o usuário é “confiável”. Obviamente, isso não tem nada a ver com confiança, e sim com lucros. As companhias que fornecem conteúdos digitais para o consumidor (principalmente as, mas não limitados às, de multimídia) querem ser capazes de controlar como esse conteúdo é usado. Por exemplo, eles desejam que o conteúdo seja exibido apenas em tocadores aprovados, banindo todos aqueles que sejam “ilegais” (o que não quer dizer nesse caso que violem a lei, mas simplesmente que não aceitem os acordos entre o cliente a companhia que vendeu o conteúdo). Mais sobre Trusted Computing pode ser encontrado, como de costume, na Wikipedia.
Mas o que há de errado com isso? As companhias não deveriam ser capazes de controlar os conteúdos que produzem? A idéia do DRM traz dois aspectos que são importantes (e podem ser perigosos) para os usuários de computadores. O primeiro aspecto é tecnológico, o segundo é ético. E veremos ambos.
De modo geral, o aspecto tecnológico é que o uso de DRM implica no fato de que o software, ou até pior, que o hardware, deveria ser fabricado não para ser o mais estável ou rápido possível, mas sim para ter a melhor proteção do copyright possível. Isso quer dizer que nós usuários iremos pagar mais por um produto que é defeituoso (não nos permite certas funcionalidades por razões não-técnicas) e que além disso é inferior em performance.
O aspecto ético é ainda mais perigoso. No mundo do DRM, o que ocorrerá é que passaremos a não poder mais fazer o que quisermos com produtos que foram legalmente adquiros, como software, música, vídeos ou textos. O que poderemos ou não fazer será decidido pelo fornecedor, não por nós. Por exmeplo, um produto protegido por DRM poderia ser desativado a qualquer momento se ele sequer supor que nós violamos os termos do acordo de uso. Isso quer dizer que nossa coleção de música “protegida” será inutilizada (por exemplo, através da redução ou até mesmo da remoção do conteúdo) em questão de segundos, sem sua aprovação. Essa é a visão terrível imposta por um gênio do mal? Não. É a era vindoura e terrível do DRM.

DRM pelo exemplo

Então, como é que funciona o DRM? Nós podemos o ver ou ele está escondido? Atualmente, muitas das empresas mais famosas já decidiram-se por usar DRM e estão o adotando. Abaixo nós estamos listando apenas alguns dos principais formatos que já são afetados (contaminados) pela “proteção de diretos autorais”:

  • DVD: o disco em si não é afetado por nenhum DRM em hardware, mas muitos fornecedores decidiram-se por usar restrições recomendadas pela organização DVDCCA, como o CSS (embaralhamento de conteúdo pelo uso de mecanismos de criptografia) ou RPC (Códigos regionais);
  • HD-DVD: o novo padrão que provavelmente substituirá os DVDs infelizmente já foi contamindo pelo DRMAACS, uma versão moderna do CSS.

    desde sua criação. A principal restrição adotada é o

  • AAC: Formato de aúdio inventado e promovido pela Apple, por meio de sua iTunes Music Store. Na versão do sistema FairPlay (Jogo Limpo) de proteção, ele recebeu restrições ao estilo do DRM (criptografia), procurando tornar impossível para reprodutores portáteis concorrentes suportarem esse formato (arquivos AAC criptografados só podem ser ouvidos sem problemas em produtos da Apple como o iPod ou o player iTunes ou em alguns poucos reprodutores aprovados pela Apple);
  • Windows Media: cada um dos formatos de mídia do conjunto Windows Media (WMV, WMA, WMP or ASF) foi contaminado por algum tipo de DRM, normalmente significando que o conteúdo recebeu uma criptografia simétrica e que se as chaves não estiverem disponíveis, o usuário poderá ouvir/assistir apenas a versão “embaralhada” do conteúdo (com baixíssima qualidade).

Figura 1: “Caixão do iPod” por Jeremy Clark

O que é interessante e não é em geral conhecido é que o DRM não se restringe apenas a mídias. Ele ode ser usado para oferecer “proteção” a quaisquer outros “bens digitais”, especialmente software. A idéia de restringir o aceso a software proprietário usando tecnologia de DRM por harware está ficando cada vez mais popular entre os maiores vendedores de software, como a Microsoft e a Apple. Se isso for implementado, o produtor do software poderá, por exemplo, bloquear o uso de certos programas se eles forem caracterizados como perigosos ou ilegais (por exemplo: permitindo ao usuário reproduzir DVDs ou arquivos AAC, mesmo se isso não for ilegal no país do usuário). Bloquear clientes de P2P, como eMule ou GnuTella (não interessa se eles são usados legalmente ou não) poderia ser outra opção. E muitas outras opções estariam disponíveis, desde que o DRM seja aceito publicamente…

Os custos do DRM – ou o que diz Gutmann

Peter Gutmann recentemente analisou o custo imposto pelo sistema de Proteção de conteúdo do Windows Vista – Windows Vista Content Protection (versão em PDF disponibilizada por Max Moritz Sievers), enfatizando os custos para os usuários de computadores caso as recomendações em questão sejam implementadas pelos vendedores de hardware. O artigo é interessante, mas muito longo e excessivamente técnico, portanto eu procurei resumir os pontos principais aqui. Se você quiser ler o artigo original, eu realmente o aconselho a fazer isso. De qualquer modo, você pode ler nosso pequeno resumo, de modo que saiba sobre o que estamos falando.

Então, o que irá acontecer se a visão da Microsoft se realizar?

  • Caso você tenha comprado recentemente uma nova placa de som topo-de-linha, você irá ficar surpreso, pois o Windows Vista não irá permitir que você execute qualquer “conteúdo protegido” devido a incompatibilidades com a interface (S/PDIF);
  • Perdas significativas na qualidade de aúdio serão comuns, devido à necessidade de se testar todo o conteúdo distribuídos por streaming que tenha sido “protegido”;
  • A idéia de driver de código aberto será abandonada, uma vez que o princípio básico do DRM é que a descriptografia do conteúdo seja feita por uma “caixa preta”, que poderá ser vista apenas por algumas corporações específicas. Isso é chamado Segurança pela Obscuridade, e o código aberto se opõe totalmente a esse conceito.
  • Remover os padrões para os hardwares é um dos objetivos da Microsoft. De acordo com a teoria da Microsoft, cada dispositivo deve se comunicar com o sistema operacional de uma forma específica de modo a fazer o DRM funcionar como desejado. Isso irá obrigar que os dispositivos sejam incompatíveis entre si, destruindo os padrões atualmente existentes.
  • Ataques de Negação de Serviço (Denial of Service – DoS) serão cada vez mais comuns, e nessa nova era, cada vez mais danosos. Isso tudo graças aos tilt bits introduzidos no Windows Vista. O código malicioso poderá utilizar as restrições de DRM de qualquer forma possível e a detecção dessa atividade poderá se tornar quase impossível e ainda por cima ilegal, tudo isso graças à infame lei DMCA que proibe o uso de qualquer técnica de engenharia reversa para tentar entender ou quebrar sistemas de DRM
  • A estabilidade dos dispositivos irá cair devido ao fato de que os dispositivos não apenas irão fazer seu trabalho mas também “proteger” (quem? obviamente, não o usuário) os conteúdos digitais de aúdio e vídeo contra uso ilegal. Essa “proteção” usa muito poder de processamento adicional e claro muitas horas adicionais de programação. E quem irá pagar a conta? Obviamente, nós consumidores!
  • O fato da Microsoft estar entregando essas especificações parece definir o primeiro caso na história em que o produtor de software determina como o seu hardware deveria ser construído e deveria funcionar. Isso parece ruim, especialmente quando nós percebemos as intenções da Microsoft;
As conclusões são muito tristes. Se os principais vendedores de hardware, como Intel, nVidia e ATI levarem essas recomendações a sério e as implantarem em seus produtos, o que irá acontecer é que o cliente não apenas irá receber um produto inferior (defeituoso por projeto), mas também terá que arcar com a conta das implementações das restrições de DRM (os vendedores provavelmente não irão querer gastar em algo que não irá lhes dar retorno).
Atualização: parece que já houve uma resposta da Microsoft ao artigo de Gutmann: Windows Vista Content Protection – Twenty Questions (and Answers). Porém, a defesa é realmente muito falha. O Lead Program Manager for Video Dave Marsh apenas confirmou a maior parte das conclusões de Guttman, as apresentando como “inevitáveis” e como formas de “fornecer funcionalidades adicionais”. Os leitores da OSNews parecem concordar que a resposta de Marsh é apenas uma admissão de culpa por parte da Microsoft. :-)

Até aqui, apenas vimos os custos técnicos do DRM/Computação Confiável no modo como ele está sendo proposto pelo gigante de Redmond. Os custos éticos dessa “inovação” são ainda mais interessantes… ou deveria dizer tristes? Vamos segur em frente.

DRM e Liberdade – ou o que diz Richard Stallman e a FSF

De acordo com Stallman

“O DRM é um exemplo de recurso malicioso – um recurso desenvolvido para vitimar o usuário do software, e portanto, uma coisa que não deveria ser tolerada”

E Stallman não é a única pessoa respeitada no mundo da TI que acredita que o DRM não possui nada de bom. Outro combatente anti-DRM conhecido é John Walker, o autor do famoso artigo “Digital imprimatur: How big brother and big media can put the Internet genie back in the bottle”. Walker compara o Imprimatur Digital com o DRM na Internet e na computação em geral.O Windows vista foi dotado da mais restritiva versão de DRM que já foi implantada. Se os sonhos de Redmond se tornarem realidade e os maiores produtores de hardware também decidirem implantar os mecanismos de DRM em seus chipsets, isso pode levar a uma situação onde nós, usuários, na realidade não iremos determinar nada relacionado ao nosso software adquido por meios legais. E isso na realidade é a apenas o começo do que podemos imaginar que irá acontecer se um protesto de grandes proporções por parte dos consumidores não começar. No futuro próximo, nós não poderemos rodar qualquer programa que viole alguma das patentes absurdas de software dadas pelos EUA ou que venha a violar qualquer tipo dessa auto-denominada “propriedade intelectual” (como se idéias pudessem ter um dono). E quase tudo será patenteado ou “terá um dono” de alguma forma quando isso acontecer.
Eu tenho uma visão de Ficção Científica do submundo da TI: nessa “visão do futuro”, todo o hardware que não estará contaminado pelo DRM virá da China, sendo que o usar será ilegal na maior parte dos países “civilizados”. E o único software que permitirá aos usuários fazerem o que quiserem será o (também ilegal) software GNU, desenvolvidos em casamatas pelos assim chamados “terroristas da TI” – hackers do kernel do Linux, ex-funcionários da Novell e da Red Hat, entre outros – financiados pelo Bin Laden da TI: Mark Shuttleworth. Isso tudo parece ridículo? Eu espero que sim. Mas eu não acredito que a Microsoft ou a Apple ficariam chateadas se essa visão maluca e ridicula se tornasse realidade…

Como podemos então evitar tudo isso?

Para onde tudo isso está nos levando, afinal? Parece que para a Microsoft, controlar o mercado de software de desktop já não basta. Agora eles querem controlar o mercado de hardware também. Atualmente apenas “recomendando” suas soluções para as companhias de hardware. Mas no futuro, se o lobby pró-DRM atual se provar efetivo, pode acontecer da Microsoft e de outras grandes empresas de software ditarem como o hardware será desenvolvido. E tudo isso – é o argumento deles, claro – apenas para oferecer segurança ao usuário final e proteger a propriedade intelectual dos artistas e programadores. A situação é um tanto paranóica. O pacto hipotético entre os distirbuidores de software, de hardware e de conteúdo (via RIAA e MPAA) pode reduzir a inovação em toda a indústria da TI por anos. Poderia ser também uma das raras vezes na história em que certas tecnologias seriam introduzidas não segundo as necessidades do cliente, mas sim segundo o desejo de companhias grandes e influentes. Os consumidores (ao meons aqueles que estão cientes dos seus direitos) não teriam para onde correr.
Portanto, como você pode se proteger desse “eixo do mal”?

  1. Primeiramente – ignore o software e o hardware que utilize técnicas de DRM que restinjam seu direito como usuário. Não compre música, filmes ou outrros conteúdos que sejam “protegidos” por mecanismos de DRM. Ao invés disso, use os serviços alternativos recomendados pela campanha Defective By Design (Defeituoso por Projeto) – que são ferramentas e serviços livres de DRM;
  2. Além disso – fale, fale e continue falando sobre o assunto. Concientize sua família, amigos de trabalho dos perigos relacionados ao uso de DRM nos produtos. Essa é a melhor forma de conscientizar as pessoas sobre o que realmente é o DRM e porque elas deveriam se importar. Ninguém deveria ser alvo de restrição. Quando as pessoas ficam conscientes das restrições impostas, elas não compram tais produtos. Simples assim :-)

Figura 2: Licença CC BY-NC por Randall Munroe

Quebrando os DRM… Isso é realmente fácil! :-)

OK, e o que podemos fazer se já adquirimos algum conteúdo (como vídeos ou textos) que estejam “protegidos” por algum tipo de DRM? Não se preocupe. A maior parte deles já foi quebrado a muito tempo. Por exemplo, se você quiser reproduzir um DVD com criptografia CSS no GNU/Linux, você pode usar quase todos os reprodutores disponíveis, como o VLC, MPlayer ou o Xine, desde que eles tenham a bibloteca libdvdcss2 habilitada (essa é uma biblioteca não-licenciada usada para descriptografar os DVDs criptografados com CSS). Se você possui músicas em formato AAC (como as comprada no iTunes), você pode facilmente a converter para um formato amigável usando JHymn sem perda de qualidade. O mesmo se repete com todo e qualquer nova tecnologia de DRM, como PDFs criptografados, Windows Media, ou até mesmo os recentes HD-DVDs (veja o post de muslix64 em BackupDVD) e em discos BluRay.
Quebrar as restrições DRM é difícil, mas sempre é possível, pelo fato de que todos os mecanismos de DRM precisam usar criptografia simétrica para funcionar. Esse tipo de criptografia exige que as chaves seja escondidas no software e no hardware, sendo que em ambos os casos é possível ao hacker analizar e encontrar o modo para descriptografar os fluxos de dados. Se você estiver interessado nos detalhes sobre o hacking de sistemas de DRM , leia a palestra de Cory Doctorow para o pessoal da Microsoft Research sobre a falta de noção no uso de DRM.

Mas tudo isso é legal?

Nós sabemos que podemos violar quase todos os tipos de restrições de DRM usando software de código aberto amplamente disponível. Mas e quanto a legalidade disso? É legal eu fazer isso em casa? Bem, isso depende… Depende de onde você vive atualmente. Na realidade, se você tem o azar de morar nos Estados Unidos ou na França, você está proibido por lei de reproduzir seus filmes ou música legalmente adquiridos que tenham sido “protegidos” por DRM se você não comprar um sistema operacional “homologado” (como o MS Windows ou o MacOS) e possuir um reprodutor “homologado” (como o PowerDVD ou o iTunes). Nos Estados Unidos, isso é determinado pela lei DMCA. Na França, pela lei similar chamada DADVSI.
Felizmente, em muitos outros países, ainda é completamente legal usar software livre para violar as restrições de qualquer DRM, como usar o DeCSS para reproduzir seus DVDs. O que nós, como apoiadores do software livre, precisamos fazer é constantemente observar os legisladores de nossos países para que eles não tentem introduzir leis similares às dos EUA ou da França. Na Polônia, de fato, um protesto liderado por um dos maiores portais pró-Linux e por milhares de usuários de computadores fez com que o partido majoritário do país abandonasse o projeto de lei que introduzia uma lei similar à DMCA na Polônia. Apoiadores do software livre de outros países como o Reino Unido, estão indo ainda mais longe e tentando banir completamente o uso de DRM no sistema legal britânico.
Claro que violar as restrições é lutar contra os resultados, não contra as causas. O problema real é o fato da existência do DRM e de que ele é amplamente aceito pela maioria (que não sabe de suas conseqüências). Se os usuários de computadores não se unirem e protestarem contra a inclusão do DRM em cada vez mais produtos, ninguém irá o fazer, o DRM irá se tornar nosso cotidiano, que precisaremos enfrentar como fazemos atualmente com vírus e códigos maliciosos (malware). Esse ano pode ser o ano no qual as decisões mais importantes serão feitas pela indústria (utilizar ou não DRM em seus produtos) e pelos consumidores (aceitar ou não o fato). Se não participarmos dessa batalha, teremos que aceitar o que nos for empurrado. Eu não acho que podemos abandonar essa luta. E você?

Mais informações sobre DRM (em inglês):

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