Linux… e mais coisas

Um espaço para dizer um pouco mais sobre coisas interessantes…

Posts de Abril, 2006

Os usuários estão no Linux… E nós, estamos prontos para isso?

Publicado por Fábio Emilio Costa em 30 30UTC Abril 30UTC 2006

A algum tempo, li essa entrada no Blog Technix, do Monthiel, onde ele fala sobre o “problema” de lidar com o famoso usuário. Sim, aquele usuário que pensa que “salvar no editor de texto” quer dizer que você salva no programa, quando salva-se o arquivo com o programa. Realmente, isso pode ser um problema, principalmente quando o usuário passa para um ambiente no qual algumas vezes o problema não são os usuários pentelhos, mas sim os usuários esnobes. Será que custa ser um pouco gentil com usuários novatos?
Eu sou da seguinte opinião: Acho que um usuário deveria sim conhecer um pouco sobre computadores. Não muito, mas o suficiente para que ele conseguissem encaminar alguns conceitos básicos, fundamentais, que farão parte do dia a dia deles como usuários. É como nos carros: nenhum motorista precisa conhecer totalmente o funcionamento de um carro (exceto se ele for um mecânico de automóveis), mas deve ser capaz de entender como verificar o óleo do motor (e porquê disso), como usar um macaco, por que algumas vezes o freio engasga… Essas coisinhas fundamentais. O mesmo vale para o computador: saber o que é um modem, o que são placas de rede, discos… Essas coisinhas básicas.
Agora, será que nós, que chegamos na frente nessa revolução, estamos preparados para encarar isso? Pelas respostas do artigo de reflexão no BR-Linux.org, eu diria que não.
O Linux Advocacy mini-HOWTO é uma obra que costum considerar uma obra prima sobre a questão de “como promover o GNU/Linux”. Existem vários comentários que o autor faz e que são pertinentes. Coisas como compartilhar experiências (boas e ruins), ajudar com links para fontes de ajuda, e coisas assim. Mas a melhor parte é essa:

Tente responder pelo menos uma vez por semana a um post de um novato. Procure por aquelas que sejam as mais complicadas, pois você pode ser o único capaz de responder essa pergunta e você pode aprender algo no processo.

É importante que sempre nos lembremos que, um dia, todos fomos novatos, com dúvidas bobas sobre como montar um dispositivos, compilar um programa ou carregar o módulo de kernel para aquela placa de rede que não funciona nem a pau. Essas coisas são úteis nesse momento. É lembrarmos que mesmo Jesus Cristo foi humilde e nos lembrou sobre isso ao lavar os pés dos apóstolos.
Não estou defendendo que se preste consultoria de graça, mas acho muito importante lembrarmos que somos parte de uma comunidade. Qualquer besteira que fizermos, qualquer resposta ríspida que oferecermos, seremos nós que iremos pagar caro.
Ajudar as pessoas no início do GNU/Linux é difícil. Algumas vezes pode ser que nem mesmo nós saibamos as respostas para as perguntas (não, aqui “42″ não é uma resposta válida… :P ). Não precisamos responder com coisas do tipo “RTFM” ou “Google is your friend“. Educação e respeito pela “novatice” alheia pode ser uma coisa muito mais util para o GNU/Linux do que ser um über-hacker.
Bem, acho que dei meu recado… De qualquer forma, procurem pensar muito nisso.
Os usuários estão vindo. Alguns já chegaram…. E nós, estamos prontos para isso?

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Voando de Vassoura para Blogopólis

Publicado por Fábio Emilio Costa em 25 25UTC Abril 25UTC 2006

A blogosfera brasileira está em polvorosa. O debate está relacionado ao chamado às armas do Fábio Seixas, do versão TXT. E esse chamado às armas estourou uma verdadeira discussão na blogosfera, e a convite do meu amigo Bardo decidiu montar a Firebolt e sair voando para Blogópolis.O debate todo tem a ver com o Technorati, ou melhor, com a lista dos blogs mais populares do Technorati. O problema: não tem um Brazuca, e olha que somos campeões de acesso em serviços como o GMail, o Orkut e o MSN.

Qual o problema?

Acho que o Walmar do Fator W deu um bom caminho para análise. Várias sugestões estão sendo feitas, e meu objetivo aqui não é criticar e nem aprovar, mas sim opinar… Daí para frente só Deus sabe…

No começo do texto do Walmar, ele cita uma coisa (escrita em outro blog) que eu considero gerada por um certo conflito de egos entre os blogueiros, aonde todo mundo curte escrever, mas ninguém gosta de ler e comentar. E isso de certa forma é verdade: se você observar alguns blogs, você vai ver que todos eles comentam as mesmas coisas, sem tirar nem por. :P

Uma outra questão levantada pelo Walmar que os blogs andam discutindo é a questão do idioma, dizendo que para alguns blogueiros o problema era o idioma, mas discordo disso. Primeiro porque a quantidade de usuários da Internet não anglófonos (ou seja, falantes do inglês) aumenta cada dia mais. Segundo porque o português está na lista dos 10 idiomas mais falados no mundo (em 8° lugar). Terceiro, porque existem casos como o do Orkut e o do MSN no qual os brasileiros dominam (e o português é o idioma mais falado :P )

Uma coisa interessante também citada é a questão da cultura envolvida. É uma coisa que entra naquela questão do conflitos de ego. De certa forma, nossa cultura atual é a de querer aparecer, e para muitos o blog ainda tem aquela coisa de “diário de adolescente”.O pessoal cansou de debater isso, citando uns trocentos mil fatores, mas acho que é muito mais uma coisa de “cada um querer matar o outro”…

O caráter da união, que é o próximo ponto citado, é uma verdade: os blogs têm que se citar, pois as ferramentas de ranking de blogs valorizam os blogs conforme estes são citados. Portanto, saber citar é fundamental. Pois os blogs devem ser usados assim: aprova e quer acrescentar ao debate? Blog!; reprova e quer demonstrar aonde discorda? Blog!; quer apenas “meter a colher”? Blog!

Há uma questão que acho importante citar aqui: temos que parar com essa mania de tentar ganhar grana com blogs. Tá, existem casos como o do Huffington Post ou o do Garotas que Dizem Ní que permitem que os mesmos faturem algum na história, mas a verdade é que esses blogs são exceção, e não regra… Esse papo de “me blogue e fature” é piada de mal-gosto na melhor das hipóteses!

A verdade é que acabei de desmontar da vassoura em Blogópolis e ainda tou com o cabelo zuado do vento, então pdoe ser que a maioria não me leve a sério. Mas não posso dizer que não opinei. Como opinião final, peguei essas tirinhas de um site americano que contam bem essa história…







PS: As referências a Harry Potter são porque eu sou fã e porque foi assim que o Bardo me identificou na lista dele (“Bruxo de Hogwarts”).

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Software livre, faculdades e capacitação

Publicado por Fábio Emilio Costa em 23 23UTC Abril 23UTC 2006

Recentemente (13 de Abril), o Ricardo (do blog Technix, leitura recomendável) estava escrevendo sobre a Profissionalização do mercado do GNU/Linux. E os comentários que ele faz são realmente pertinentes:

[ t e c h n i x ] » Blog Archive » Profissionalização do mercado Linux

Foi o tempo em que Linux e software livre eram coisa de profissional divertindo-se em seu tempo livre. A noção de que o Linux, o OpenOffice, Apache, Firefox e outros foram desenvolvidos nos finais de semana por gente trabalhando de graça ainda existe, mas está indo por terra. Cada vez mais grandes empresas de TI investem para transformar o software livre em um modelo de negócios sólido. O resultado disso é que software livre já concorre em muitas áreas em pé de igualdade com softwares proprietários. A medida que esse quadro se desenha fica mais claro que o nível do profissional de software livre precisa acompanhar o rítmo do mercado. É possível ganhar dinheiro e fazer carreira na área, mas a profissionalização é importante para conseguir uma boa oportunidade de trabalho.

E isso é muito bom, pois existe muita gente que dedica muito tempo de sua vida aprendendo as nuances do GNU/Linux, procurando se destacar, se diferenciar, crescer e oferecer algo inovador como profissional. Quem não pensa sobre SL em sua corporação pode acabar se dando mal mais cedo ou mais tarde…

A rede de supermercados Extra do grupo Pão de Açucar é um exemplo. Em uma entrevista que tornou-se emblemática para a Info Exame em 2002 o encarregado de TI do grupo, Sr. Silvio Laban afirmou “Linux nem com um 38 na cabeça”. Alguns meses depois, com a troca da equipe de TI do Pão de Açucar o grupo varejista anunciou uma parceria com a Red Hat para a implantação do Linux em quase 9.000 pontos de venda em 560 lojas das bandeiras Pão de Açucar, Extra e CompreBem. Segundo o grupo a adoção do Linux ocorreu pela percepção de que “Os fabricantes estão assumindo a responsabilidade pelo suporte ao Linux” conforme relatou Ney Santos, diretor de tecnologia da Companhia Brasileira de Distribuição (novo nome do Grupo Pão de Açucar).

As empresas não possuem mais motivação para se travarem e esquecerem do GNU/Linux como uma oportunidade de negócio inovadora e competente. É totalmente possível usar o GNU/Linux em qualquer aplicação de ambiente corporativo, sem perda de nenhum tipo (ou com perda mínima).

Mas o que tudo isso tem a ver com Software Livre?

Segundo Helio Castro, desenvolvedor Linux da Mandriva Conectiva do Brasil e membro do projeto KDE, as universidades brasileiras não preparam o estudante para entender e trabalhar com o modelo de software livre. Normalmente os docentes impelem aos alunos um modelo exclusivamente proprietário durante a graduação. Cada aluno recebe um trabalho para executar e deve fazê-lo sozinho, sem compartilhar informações ou código com os colegas. Isso leva à um sistema que produz o chamado “Software de Padaria” onde, pela falta de tempo hábil, os alunos desenvolvem diversas versões de programas corriqueiros como controles para vídeo-locadoras, farmácias, etc. Esses programas tem pouco uso prático e quase sempre são esquecidos assim que o aluno pega o diploma. Se os docentes sugerissem que a turma trabalhasse como um todo, em equipe, usando o modelo livre na prática em um grande projeto os futuros profissionais teriam chance de criar softwares com real aplicação prática e saíriam das escolas preparados para trabalhar em equipes com um pleno entendimento do funcionamento do software livre enquanto modelo de produção.

Infelizmente verdade seja dita: a maioria das faculdades trata o ensino de informática segundo um modelo de uso e desenvolvimento proprietário. Se você estuda em uma faculdade, já deve ter percebido como aqueles que cedem códigos para os outros alunos são sempre considerados “bobocas”, “tapados” e outros termos que não valem a pena ser ditos aqui.

A verdade é que o software livre é apenas uma metodologia de desenvolvimento de software. Porém, ela possui toda uma quantidade de barreiras a serem transpostas pelo desenvolvedor se ele deseja ser bem-sucedido ao trabalhar com ela. Ele tem que aprender a:

  1. Aceitar opiniões e críticas;
  2. Aprender a colaborar;
  3. Mostrar que já tentou desenvolver algo;
  4. Pedir por ajuda;

Quatro coisas que, dentro do ambiente típico de desenvolvimento proprietário são consideradas inaceitáveis. É necessário que as faculdades sejam o primeiro bastião a fomentar tais comportamentos, estimulando um trabalho mais participativo. Na prática, o que vemos atualmente é que cada um faz o seu trabalho, de maneira independente e até mesmo antagônica em relação aos seus companheiros de turma. Seria muito mais interessante, como o Ricardo comentou, utilizar-se de projetos amplos o tempo todo. Estou (na verdade, toda a minha turma do curso de Tecnologia em Desenvolvimento de Software das Faculdades ASMEC está) sentindo o peso dessa falta de aculturação com um desenvolvimento mais colaborativo, graças a um projeto da coordenadoria do curso (antes que achem que estou criticando, antes tarde do que nunca… :D )

Continuando os comentários do artigo, Ricardo fala das certificações:

Entretanto uma empresa brasileira reconheceu as deficiências dos modelos acadêmicos e optou por outro caminho. Certificar o profissional treinando-o enquanto ele ainda é um estudante. Com essa fómula a Alternativa Linux desenvolveu um sistema de parceria com diversas universidades do Brasil para ministrar seus cursos dentro das universidades. Os alunos podem participar dos cursos e treinamentos durante a graduação e chegar ao mercado de trabalho já com uma certificação VN de Administração de sistemas Linux, Profissional Linux ou Segurança. Profissionais já colocados no mercado também podem obter as certificações da mesma forma, participando dos cursos dados pelas instituições que firmaram parceria com a Alternativa Linux. As certificações da Alternativa possuem uma boa aceitação do mercado, pois como a LPI são independentes de distribuição. A diferença é que essa certificação é mais voltada ao mercado brasileiro de software livre.

Iniciativas como LPI e Alternativa Linux (vendor neutral, independente da empresa) são muito positivas, na medida em que elas começam a criar uma força para o Software Livre com profissionais de qualidade. Mas é importante que as faculdades e, acima de tudo, os profissionais, percebam que Software Livre não é futuro. É presente. Pode não ser o dominante, mas é o que está crescendo. Não acho que profissionais com certificações MS estejam recebendo tanto assim, pois eles são comuns. Quem quiser se dar bem tem que apostar alto e ser apaixonado por aquilo. E paixão reflete-se na dedicação a um tipo de serviço. No caso, Software Livre. E nessa paixão, parar de enxergar uma solução como futuro, e sim como presente, é algo mais do que importante.

A expectativa é que o mercado de Software Livre torne-se cada vez mais pragmático, cada vez mais negócio. Acabaram-se os tempos em que software livre era exclusivamente passatempo de garagem de jovens idealistas. Isso ainda existe hoje, de fato. Mas os homens de negócios engravatados continuarão a tornar o software livre também um modelo comercial. Os profissionais devem manter isso em mente e buscar seu espaço para que possam fazer parte desse mercado que apresenta sinais de que continuará a expandir-se no Brasil e no mundo com bastante força nos próximos anos.

Na realidade, não há nada que impeça engravatados de ver o SL como um modelo comercial. Ser pragmático é bom algumas vezes. Mas não deixa de ser importante notar que a dedicação continuará contando… Como ele disse, será necessário profissionalização do profissional GNU/Linux (sem trocadilhos aqui), e uma característica de um profissional é estar sempre investindo e se aperfeiçoando.

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Do que é feito o sucesso do Linux?

Publicado por Fábio Emilio Costa em 18 18UTC Abril 18UTC 2006

Essa semana alguns artigos me chamaram a atenção. Um, na verdade um pouco mais antigo, é o artigo da ZDNet Australia “

Sandals and ponytail set cramp Linux
” que afirma a adoção do Linux é atravancada pelo fato de a maioria dos desenvolvedores e membros da comunidade free software ter um visual um tanto relaxado, mencionando Peter Quinn, ex-CIO do Estado de Massachussets (EUA), que recentemente foi mandado embora do seu cargo por ser favorável à adoção do formatos OpenDocument.

[Os profissionais] do código aberto possuem uma aparência pouco profissional, e a comunidade precisa ser mais voltada aos negócios de modo a começar a adentrar em áreas tradicionalmente dominadas pelos vendedores de software proprietário. [Ter] uma cara em um projeto ou agenda torna muito mais interessante para aqueles que elaboram políticas [considerar o código aberto].” (todas as traduções foram feitas por mim)

Os debates (e flames) em sites como o Slashdot e o BR-Linux foram muito intensos, principalmente com a noção de que “aparência não faz mesa”, mencionando coisas como os casos Enron e Worldcom (praticados por contadores e administradores, que, ao menos na teoria, se vestem impecavelmente.

Uma das melhores posições que li foi do pesquisador David Wheeler, publicada na Groklaw, que resumiu de certa forma os motivos de Quinn:

GROKLAW – Dress for success? Decide on your goals, then act to reach them, by David A. Wheeler

A verdade é que as pessoas julgam umas às outras baseando-se na aparência. Fingir que isso não é verdade não muda o fato. E tem mais: dificilmente conseguiremos fazer as pessoas pararem de julgar baseando-se na aparência; isso provavelmente exigiria uma engenharia genética universal.

Concordo em partes com o argumento de Wheeler: realmente é meio complicado um cara com uma aparência como a de uma cruza de um Buda com a de um profeta do deserto (como a de Richard Stallman) convencer os outros. Mas acho que existe um cuidado a se tomar: uma coisa que muitas vezes acontece e que é muito fácil de ser percebida é pessoas que não são tão boas ou talentosas assim serem consideradas mais do que pessoas que realmente conhecem da coisa, mas que não sejam tão bem arrumadas… Isso pode ser perigoso.
Para encerrar essa primeira parte, cito novamente Wheeler:

A regra é clara: defina quais são os objetivos mais importantes para serem atingidos por você e então ajuste a sua aparência (segundo seu estilo) para que ela o ajude a alcançar tais objetivos. A melhor roupa em geral vai depender de para quem você estará falando (particularmente para qual tipo de cultura você encontrará) e que tipo de evento no qual você irá aparecer. Em alguns eventos mantidos por instituições acadêmicas, aparecer com um terno e gravata fará com que você seja ignorado como um tapado. Do mesmo modo, em vários encontros/apresentações formais com oficiais do governo ou homens de negócio, aparecer vestindo jeans e camiseta irá significar que sua mensagem deve ser considerada pouco confiável, portanto será mais provável que eles façam exatamente o que você não quer.

Eu mesmo segui essa regra, procurando, na palestra que dei, estar mais apresentável do que normalmente sou (apesar de não ser sujo, às vezes tenho que admitir que fico muito desleixado). E por isso, a mensagem nossa acabou sendo ouvida.

Portanto, considero que, na realidade, é importante a imagem, mas ela não é tudo… Não adianta você “clonar-se” e ficar parecendo o Agente Smith do Matrix para achar que tá abafando. Como Wheeler disse, tudo vai depender de aonde você tá indo falar… “Pense nisso como um hacking social, ou como uma forma de amplificar dinheiro, se quiser.”
Acabado esse assunto, vamos para o próximo:
Em um artigo da Ars Tecnica, o vice-presidente de tecnologia da Real Networks (produtores do famoso Real Player) disse, sobre a questão do Linux não querer suportar sistemas de DRM:

A consequência do Linux não suportar DRM (Digital Rights Management) será que as únicas plataformas de entretenimento disponíveis serão equipamentos dedicados e PCs rodando Windows. O Linux será relegado a servidores e máquinas corporativas, já que não estaria provendo as tecnologias multimídia exigidas pelos consumidores.” (tradução retirada de Meio Bit | Ameaça Real: Sem DRM adeus Linux (Industria))

Vejamos… A primeira coisa é que o DRM é uma armadilha, quem já leu o livro “Cultura Livre“, de Lawrence Lessig (Editora Trama Universitário) sabe bem (leitura recomendável). Os sistemas de DRM são:

  1. Falhos: existem muitas formas, não interessa aqui se legais ou não, de contornar-se os sistemas de DRM;
  2. Draconianos: usuários portadores de necessidades especiais terão MUITOS produtos com sistemas com DRM. Por exemplo, pessoas cegas poderão não ser capazes de ler um ebook se o mesmo não estiver liberado de DRM (e, pela visão da indústria, não estará);
  3. Injusto: a coisa vai passar a ser assim: troquei de computador? Compro todas as minhas músicas de novo. Fui assaltado? Compro todas as minhas músicas de novo. E assim ad infinitum.

Agora, será realmente verdade que o Linux depende de beleza e de abaixar a cabeça para ser o que é?
Eu acho que não…
Há uma verdade: as grandes corporações querem tentar empurrar o relógio para trás, o que é basicamente nazista (se observada com atenção, a suástica nazista tem suas “pás” fazendo um movimento anti-horário). Claro que não vamos ganhar todas de uma hora para a outra. Mas sempre haverá acontecimentos como o caso do DVD Jon, que quebrou a criptografia do DVD (DeCSS) desenvolvendo legalmente um código de computador para legalmente assistir os filmes que ele legalmente comprou e que porque nenhuma grande corporação se dignou a desenvolver um player de DVD para o Linux ele não conseguia assistir. Graças a isso, ele, eu e muitos linuxers assistimos legalmente nossos DVDs comprados legalmente.
É claro que seria tolice imaginar que ninguém utiliza o DeCSS para fazer pirataria. Mas é como disse Jung “não há árvore que cresça apenas para cima. Quando ela ergue seus braços para cima, suas raízes continuam penetrando a terra.” Ou Nietziche: “Não olhe para seu monstros temendo tornar-se um deles. Quando você olha para o Abismo, o Abismo olha para você.”
O Linux não precisa disso para ser bem sucedido. O Linux já é bem sucedido. Quem já trabalhou ou viu um telecentro sabe do que estou falando. É hora de mostrar que o Linux não é uma onda, mas sim uma coisa nova, para o século XXI. Comportar-se bem e vestir-se corretamente? Pode ser. Sistemas com DRM? Quem sabe? Mas isso não vai mudar o fato de que o Linux é o que é, que ele chegou para ficar e para mexer nas coisas…
E esperamos que uma cultura mais livre surja, estimulada pelo Linux.

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Comentários de uma palestra…

Publicado por Fábio Emilio Costa em 9 09UTC Abril 09UTC 2006

Bem, como eu disse, é um pouco difícil para eu manter um blog…
Primeiro, porque eu não sou do tipo de falar da minha vidinha patética… Segundo, eu tenho uma vida um pouco corrida.
Queria portanto comentar algo com relevância.
Essa semana, a minha faculdade teve uma Semana de Seminários para o meu curso (Tecnólogo em Desenvolvimento de Software), e um dos meus professores me convidou para ministrar uma pequena palestra sobre o GNU/Linux… Aceitei, é claro.
Inicialmente, achei que não ia dar em nada. Afinal de contas, conheço a resistência que muitos, inclusive na minha área, possuem quanto ao GNU/Linux. Além disso, no mesmo dia, no mesmo horário, houve um minicurso de Photoshop. Portanto eu, devo reconhecer que de certa maneira preconceituosamente, acreditei que a maioria do pessoal iria querer ir em Photoshop.
Qual não foi minha surpresa ao ver o pessoal assistindo a palestra e demonstrando um grande interesse pelo assunto. Eu mesmo fiquei abismado, embora a minha intenção fosse dar o melhor de mim. Junto com outros dois palestrantes (o Anderson, que mostrou um pouco de desenvolvimento Java em GNU/Linux, e o Adaílton, que mostrou um cluster HA em FreeBSD), todos estávamos interessados em oferecer o melhor.
Mas a maior surpresa que me esperava nesse caso foi no dia seguinte (quarta), quando um monte de gente, incluindo aí o professor que me convidou (Eduardo) e a coordenadora do curso (Dalva), me parabenlizou, junto com os demais, pela Palestra. Achei muito bom… E claro que também adorei ter meu ego massageado… :-P
De qualquer forma, eu achei fantástica as reações, pois comprova que GNU/Linux não é mais apenas uma curiosidade: é sim uma alternativa viável à Dominação da Microsoft.
Para aqueles que tiverem curiosidade, postei a apresentação usada no Internet Archive. Basta clicar em “All files” e aparecerá os arquivos para você copiar. Por enquanto, apenas em ODP (OpenDocument – OpenOffice.org 2.0) ou SXI (OpenOffice.org 1.0). Para aqueles ainda atrelados à MS, estou preparando um PowerPoint e um PDF para que possam descobrir a alternativa GNU/Linux.
Atualização: Como prometido, no mesmo link pode ser obtido o PowerPoint da apresentação, compatível com o PowerPoint 2000.
Atualização 2 (21/12/2006): Para quem quiser apenas ver a apresentação, abaixo segue ela publicada no ótimo site Slideshare.net:

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Isto é uma vergonha…

Publicado por Fábio Emilio Costa em 9 09UTC Abril 09UTC 2006

Muita gente dentro da comunidade SL sabe que um dos principais cases de sucesso do Brasil em SL são os projetos de Telecentros.
Para quem não sabe, um Telecentro é um ambiente com alguns computadores aonde pessoas de baixa renda podem acessar a Internet e ter aulas de computação gratuitamente ou a baixo custo. Esse custo baixo é possível pois são usadas máquinas com GNU/Linux, o que permite o uso de máquinas que, de outra forma, seriam consideradas “obsoletas”.
Hoje, porém, vejo a seguinte notícia no BR-Linux.org:

Telecentro de SP passa a adotar software proprietário para soluções de acessibilidade | BR-Linux.org

O mais interessante é notar que esses governantes de direita, como os do Senhores Serra e Kassab adoram enfiar dólares no bolso de Bill Gates (como se ele não tivesse o suficiente), ao invés de investir em programadores brasileiros, que poderiam desenvolver tecnologia nacional.
Alguns poderão argumentar com globalização e os blá-blá-blá de sempre… Mas, cá entre nós, o que a globalização tem trazido de bom para o Brasil. Temos sido espoliados desde nosso “descobrimento” (eufemismo para invasão) e continuamos sendo colônia.
Voltando ao assunto:

“De acordo com a prefeitura paulistana, a Microsoft foi a escolhida para fornecer softwares para esse projeto por que é a empresa que oferece as melhores soluções para esse público. Os novos telecentros contarão com extensores de teclados, softwares com lupas e teclados especiais.”

Concordo que o GNU/Linux ainda possua problemas sérios no quesito usabilidade. Sou um fervoroso defensor do SL, mas não sou do tipo de tampar o sol com a peneira. Mas os software livre vêm evoluindo cada vez mais junto com sua aceitação. Ferramentas como EMACSpeak, Festival e afins provêem leitores de tela maduros para o GNU/Linux. Extensores de teclado são característica de hardware, e quanto a “lupas” (pequenos programas que ampliam a região da tela aonde o mouse se encontra), isso pode ser implementado através do X-Windows sem precisar se preocupar com KDE, GNOME ou o que seja. Já teclados especiais… Conheço pessoas que possuem necessidades especiais e que afirmam que não precisam de um teclado especial.
Não sei aonde a Prefeitura de São Paulo pretende chegar, mas acho que isso vai servir apenas para encher um pouco mais a já gorda conta bancária do Senhor Willian Gates III.

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Abrindo um novo Blog

Publicado por Fábio Emilio Costa em 5 05UTC Abril 05UTC 2006

Acho que essa é a terceira vez que tento abrir um blog, mas de qualquer forma vamos lá.

Pretendo ser mais técnico aqui. Não sei se sou apenas eu, mas acho um pé no saco esse bando de blogs aonde cada um fala de sua própria vida patética. Aqui pretendo ser um pouco mais reflexivo e comentar sobre coisas que me agradam ou não e o porquê.

Sinta-se livre para não concordar (ou concordar) comigo. Linke notícias desse blog para comentar, aprovar, reprovar, citar, ou apenas indicar um artigo aqui.

Meu nome é Fábio Emilio Costa, tenho 27 anos, e estou terminando minha graduação em Desenvolvimento de Software nas Faculdades ASMEC em Ouro Fino. Sou Linuxer assumido, adoro programar em C++, PHP e tenho tido um certo interesse em Ruby. Sou fã de Harry Potter (casa Lufa-Lufa), Senhor dos Anéis, Star Wars, Nárnia e outros seriados de fantasia e ficção científica. E claro, sei aonde guardo a minha toalha… :P

Bem, por hoje é só…

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